Governo prepara Desenrola 2.0 com uso do FGTS para renegociar dívidas
Ministro Dario Durigan diz que anúncio deve sair ainda nesta semana e prevê descontos de até 90% e juros menores, com limite de saque do FGTS
27/04/2026 às 17:40por Redação Plox
27/04/2026 às 17:40
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
O novo programa Desenrola, chamado internamente de Desenrola 2.0, deve ser anunciado ainda nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida vai permitir o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a renegociação de dívidas.
A informação foi confirmada nesta segunda-feira (27), em São Paulo, pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reuniões com banqueiros.
Desenrola, chamado internamente de Desenrola 2.0, deve ser anunciado ainda nesta semana.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Governo prevê limite para uso do FGTS
A gente segue trabalhando com a possibilidade de usar o fundo de garantia
Dario Durigan
Segundo o ministro, o programa terá limitação para o uso do FGTS. Ele explicou que o saque será restrito a um percentual, vinculado ao pagamento das dívidas renegociadas dentro do programa.
Reuniões com bancos e conclusão do desenho do programa
Durante a manhã, Durigan se reuniu na capital paulista com banqueiros e com o presidente da Federação Brasileira de Bancos, Isaac Sidney. Participaram os presidentes dos bancos BTG Pactual, Itaú Unibanco, Santander, Bradesco e Nubank. À tarde, ele também teve encontro com representantes do Citibank.
De acordo com o ministro, as conversas com as instituições financeiras estão na reta final para que o governo entregue ao presidente, ainda nesta semana, o formato do programa de renegociação das dívidas das famílias brasileiras. Durigan disse que retorna a Brasília nesta terça-feira (28) e que tratará do tema com Lula para viabilizar o anúncio, possivelmente, ainda nesta semana.
Foco em dívidas mais caras e reforço no FGO
O ministro afirmou que o novo Desenrola busca reduzir os níveis de inadimplência no país, em um cenário de juros ainda elevados, embora com expectativa de queda nos próximos meses. Segundo ele, a proposta mira especialmente dívidas que pesam no orçamento das famílias, como cartão de crédito, CDC (crédito direto ao consumidor) e cheque especial.
Durigan também adiantou que o programa contará com aporte do Fundo Garantidor de Operações (FGO), previsto nas medidas a serem apresentadas, com o objetivo de garantir a renegociação para quem quiser aderir.
Descontos podem chegar a 90%, diz ministro
Embora não tenha detalhado o funcionamento do Desenrola 2.0, Durigan disse esperar que os descontos alcancem até 90%. Ele afirmou que o governo busca, como contrapartida dos bancos, a aplicação de taxas de juros menores do que as praticadas nos segmentos citados, que, segundo ele, variam entre 6% e 10% ao mês.
Pelo exemplo apresentado pelo ministro, uma dívida de R$ 10 mil pode se tornar R$ 11 mil no mês seguinte, o que, na avaliação dele, tende a manter muitas famílias em um ciclo de atualização constante do débito. A aposta, afirmou, é que um desconto amplo permita chegar ao patamar estimado.
Medida será excepcional, sem caráter recorrente
O ministro ressaltou que o programa não terá caráter recorrente. Segundo ele, tanto o Desenrola realizado em 2023 quanto o novo programa são medidas pontuais, em um contexto que classificou como excepcional, com impactos externos que podem fugir ao controle.
Expectativa é alcançar dezenas de milhões de pessoas
Sobre o público potencial, Durigan declarou esperar que a medida atinja dezenas de milhões de pessoas em todo o país.
No primeiro Desenrola Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas foram beneficiadas, com a negociação de R$ 53,2 bilhões em dívidas.
Agenda inclui encontros com empresas de petróleo e gás
Além das reuniões com o setor financeiro, o ministro ainda deve se encontrar nesta tarde com executivos das empresas Equinor Brasil, Petrogal Brasil, Repsol Sinopec Brasil, Shell Brasil e TotalEnergies EP Brasil, todas do setor de petróleo e gás.