Dólar abre em queda e Focus volta a elevar projeção de inflação para 2026
Moeda recua a R$ 4,9687, enquanto tensões entre EUA e Irã e petróleo acima de US$ 100 seguem no radar; governo protocola proposta para usar receita extra do petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis
27/04/2026 às 11:18por Redação Plox
27/04/2026 às 11:18
— por Redação Plox
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O dólar abriu a sessão desta segunda-feira (27) em queda e recuava 0,58% por volta das 9h10, cotado a R$ 4,9687. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começa a ser negociado às 10h.
No cenário externo, as tensões no Oriente Médio seguem no radar dos mercados. Mesmo com um cessar-fogo frágil em vigor, os desdobramentos do conflito continuam afetando o fluxo de petróleo e o humor dos investidores.
Dólar, moeda norte-americana
Foto: Free Pik
Tensões entre EUA e Irã mantêm foco no petróleo
Entre os movimentos mais recentes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou a visita de dois enviados americanos ao Paquistão, reduzindo as expectativas de avanço em negociações de paz. Autoridades da região também afirmaram que o Irã sinalizou disposição para encerrar o controle sobre o Estreito de Ormuz, desde que os EUA suspendam o bloqueio ao país.
Apesar do cessar-fogo, a tensão entre EUA e Irã segue dificultando a travessia de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo do Golfo Pérsico.
Na sexta-feira, a Casa Branca informou que Trump concedeu uma prorrogação de 90 dias à isenção da Lei Jones, permitindo o transporte de petróleo e gás natural por embarcações não americanas em razão da guerra com o Irã.
Boletim Focus eleva projeção de inflação para 2026
No Brasil, o Boletim Focus apontou nova alta nas projeções de inflação para 2026 — a sétima revisão consecutiva para cima. A estimativa passou de 4,8% para 4,86%, em um movimento que reflete a pressão do petróleo, que nesta segunda-feira operava acima de US$ 100 após a escalada do conflito no Oriente Médio.
Desempenho do dólar e do Ibovespa
Dólar
Acumulado da semana: +0,29%;
Acumulado do mês: -3,50%;
Acumulado do ano: -8,95%.
Ibovespa
Acumulado da semana: -2,55%;
Acumulado do mês: +1,75%;
Acumulado do ano: +18,38%.
Negociações no Oriente Médio seguem travadas
A guerra envolvendo os EUA e o Irã mantém investidores e governos em estado de alerta. Um dos movimentos mais recentes envolve a viagem do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, que deve chegar a Islamabad, no Paquistão, na noite desta sexta-feira, acompanhado de uma pequena equipe. Segundo uma fonte paquistanesa, há expectativa de que a visita possa abrir caminho para conversas de paz com os EUA.
A tentativa ocorre após uma semana de impasse entre Washington e Teerã. De um lado, os EUA mantiveram um bloqueio naval aos portos iranianos. Do outro, o Irã reagiu no Estreito de Ormuz, interceptando embarcações que tentavam atravessar a região.
Em meio à escalada, Trump afirmou na quinta-feira que ordenou à Marinha americana que “atire e destrua” embarcações iranianas que estejam instalando minas na hidrovia.
A declaração veio dois dias depois de Trump anunciar a extensão, por tempo indeterminado, de um cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Segundo ele, a decisão buscava abrir espaço para novas tentativas de negociação entre os dois países.
Mesmo assim, os avanços diplomáticos permanecem limitados. A continuidade das tensões levou o governo americano a adotar medidas para reduzir riscos ao fornecimento de energia. Na sexta-feira, a Casa Branca informou a prorrogação por mais 90 dias de uma isenção ligada à Lei Jones, permitindo que navios de outros países transportem petróleo e gás natural para os EUA.
De acordo com a assessora de imprensa da Casa Branca, Taylor Rogers, dados reunidos após a adoção inicial da medida indicam que a flexibilização ajudou a acelerar a chegada de suprimentos de energia aos portos dos EUA.
Governo quer usar receita do petróleo para reduzir impostos
O governo federal decidiu enviar ao Congresso Nacional uma proposta para reduzir o impacto da alta dos combustíveis sobre a população, em meio ao aumento do preço do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio.
O projeto de lei complementar foi protocolado na Câmara dos Deputados na quinta-feira (23). A proposta cria um mecanismo para usar parte do dinheiro extra arrecadado com o petróleo na redução de impostos que incidem sobre combustíveis.
A ideia é que, quando o preço do petróleo subir e gerar receita adicional para o governo, uma parcela desses recursos possa ser direcionada para diminuir tributos sobre diesel, gasolina, etanol e biodiesel.
Entre os impostos que poderiam ser reduzidos estão o PIS/Cofins e a Cide aplicada à gasolina.
Bolsas globais fecham sem direção única
Em Wall Street, os índices encerraram a sexta-feira sem direção única: o Dow Jones caiu 0,16%, o S&P 500 subiu 0,80% e o Nasdaq avançou 1,63%.
Na Europa, o desempenho foi majoritariamente negativo. O índice STOXX 600 recuou 0,6% no dia, para 610,65. Entre os principais mercados, o DAX, da Alemanha, caiu 0,11%, a 24.128,98 pontos; o CAC 40, de Paris, perdeu 0,84%, para 8.157,82 pontos; e, em Londres, o FTSE 100 registrou queda de 0,75%, a 10.379,08 pontos.
Na Ásia, os mercados também fecharam mistos. Em Shanghai, o índice SSE recuou 0,33%, para 4.079 pontos, e o CSI 300 caiu 0,35%, a 4.769 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng Index subiu 0,24%, para 25.978 pontos. Em Tokyo, o Nikkei 225 avançou 0,97%, para 59.716 pontos.