Câmeras corporais mostram PMs monitorando empresário antes de execução na Pavuna
Imagens obtidas pelo Fantástico indicam que Daniel Patrício Santos Oliveira foi seguido por policiais por mais de uma hora e morto a tiros de fuzil, sem blitz ou ordem de parada, segundo a investigação.
27/04/2026 às 08:30por Redação Plox
27/04/2026 às 08:30
— por Redação Plox
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Imagens exclusivas de câmeras corporais obtidas pelo Fantástico mostram policiais militares monitorando o empresário Daniel Patrício Santos Oliveira antes de ele ser morto a tiros na Pavuna, na Zona Norte do Rio.
Os vídeos registram o momento em que um PM avança em direção à caminhonete e dispara dezenas de tiros de fuzil. O crime aconteceu na madrugada do dia 22 e, segundo a investigação, não havia blitz, bloqueio nem ordem de parada.
Imagens de câmeras corporais mostram PM monitorando o empresário morto na Zona Norte do Rio.
Foto: Reprodução/TV Globo
Imagens mostram aviso e sequência de tiros
Nas gravações, um policial avisa ao colega:
"Tá descendo o Russo agora!"
Logo em seguida, Daniel entra na rua e passa a ser alvo dos disparos.
Daniel não estava sozinho no veículo. Três acompanhantes sobreviveram e aparecem nas imagens logo após os tiros.
Um deles grita:
"Meu Deus, mano. Pelo amor de Deus, mano! Coé meu chefe, que que a gente fez?"
Outro relata que o empresário foi atingido no rosto.
Moradores questionam ação e PM apresenta versão diferente
Depois dos disparos, moradores se aproximaram e questionaram a ação policial. O PM que atirou apresentou uma versão diferente do que aparece nas imagens: disse que o carro teria acelerado contra a guarnição no momento de uma suposta abordagem.
As câmeras também gravaram o policial orientando como o caso deveria ser registrado oficialmente. Ele fala em “averiguação de pessoa e veículo”, “troca de tiro” e “legítima defesa”. Em seguida, repete a mesma narrativa por telefone e depois na delegacia.
Corregedoria diz que policiais acompanhavam vítima desde 1h53
Segundo a Corregedoria da Polícia Militar, os vídeos mostram que os agentes acompanhavam Daniel desde 1h53 da madrugada. Os tiros foram disparados às 3h06. Durante o período, os policiais receberam informações de um olheiro sobre os passos da vítima.
A investigação aponta que, com base nessas informações, os policiais montaram uma emboscada. Um deles se posicionou na rua por onde Daniel passaria. Quando a caminhonete se aproximou, o PM avançou a pé e atirou. Daniel morreu com um tiro na cabeça.
Áudios registram impaciência e menção a tecnologia
As gravações também mostram os policiais demonstrando impaciência enquanto aguardavam a chegada da vítima. Um dos agentes reclamou da demora, dizendo que não tinha paciência para esperar. O colega ponderou sobre a natureza do trabalho e sugeriu que o uso de tecnologia facilitaria a emboscada:
É difícil, mas é o trabalho, tem que ter paciência. Se tivesse um dronezinho era melhor ainda.
Família aguardava mudança e viúva pede punição
O empresário tinha 29 anos, era casado, tinha uma filha pequena e trabalhava com eletrônicos. A família se preparava para se mudar para Foz do Iguaçu.
A viúva cobrou punição:
"Eu espero que a justiça seja feita, que não queira esconder a verdade".
Policiais presos e motivação sob investigação
Os dois policiais foram presos no mesmo dia por homicídio doloso. A Corregedoria afirmou que a ação não seguiu nenhum protocolo formal. O governo do Rio de Janeiro informou que pagará indenização à família. O Ministério Público investiga agora a motivação do crime.