PT divulga vídeo e tenta ligar Flávio Bolsonaro ao caso Banco Master em congresso em Brasília

Peça cita compra de mansão de R$ 6 milhões e outras suspeitas; reportagem afirma que senador não é investigado e que não há evidências de ligação do imóvel ao esquema

27/04/2026 às 08:08 por Redação Plox

O Partido dos Trabalhadores (PT) intensificou a ofensiva política neste domingo (26) ao divulgar, durante o 8º Congresso Nacional em Brasília, um vídeo que tenta associar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao escândalo do Banco Master. A peça, que circula nas redes sociais, usa o termo “bolsomaster” e sustenta que a compra de uma mansão de R$ 6 milhões na capital federal pelo parlamentar, pré-candidato à Presidência, teria relação com o caso.

No vídeo, o locutor também menciona outras suspeitas envolvendo o senador, como as chamadas “rachadinhas” na Alerj, lavagem de dinheiro em imóveis e relação com milicianos, ao classificá-lo como o “filho mais corrupto” do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à presidência. •

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à presidência. •

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado.


Cronologia e investigações oficiais divergem da acusação

Apesar da divulgação do material pelo PT, a sequência de fatos e as apurações oficiais citadas no próprio contexto da reportagem apresentam contrapontos às acusações. Flávio Bolsonaro não figura como investigado no caso envolvendo o banco de Daniel Vorcaro e, segundo o texto, não há evidências que conectem a residência do senador ao esquema.

O imóvel mencionado foi adquirido em 2021, por meio de financiamento no Banco de Brasília (BRB). Isso ocorreu antes de a instituição estatal iniciar a compra de carteiras de crédito do Master, em 2024, e também antes de formalizar a proposta de aquisição do banco privado, registrada apenas em 2025.

Até o momento, a assessoria do senador não se manifestou sobre o vídeo, embora o espaço para resposta permaneça aberto.

Vídeo cita doações e conexões com aliados de Bolsonaro

A narrativa apresentada pelo PT destaca que as operações do Master teriam sido autorizadas em 2019, durante a gestão de Jair Bolsonaro, e enfatiza conexões financeiras entre sócios da instituição e aliados do ex-presidente.

De acordo com a peça, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e sócio do banco, doou R$ 5 milhões para as campanhas de Bolsonaro e do governador paulista Tarcísio de Freitas. O vídeo também sustenta que haveria conivência de governadores para ocultar fraudes que beneficiariam a família Bolsonaro.

Expansão do Master em 2024 e desconforto no governo Lula

O caso também provoca desconforto e acusações mútuas porque o Banco Master registrou sua maior expansão em 2024, já sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega confirmou ter prestado consultoria econômica ao banco entre 2024 e 2025, recebendo R$ 14 milhões pelo serviço. Ele também teria intermediado uma reunião entre Vorcaro e o presidente Lula. Na ocasião, Lula teria delegado a análise técnica da compra do Master pelo BRB ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Mantega afirmou, em nota, que desconhecia irregularidades no período em que atuou como consultor. Além disso, familiares do ex-ministro Ricardo Lewandowski também prestaram serviços jurídicos à instituição, somando R$ 6,1 milhões.

PT adota cautela em texto oficial para 2026

Apesar do tom agressivo do vídeo direcionado aos militantes, a cúpula do PT manteve uma postura mais cautelosa nos documentos oficiais do partido. No encerramento do 8º Congresso, as diretrizes aprovadas para 2026 retiraram trechos que citavam nominalmente o caso Master e polêmicas envolvendo o INSS.

O presidente da legenda, Edinho Silva, justificou que, embora os temas tenham sido debatidos pelos delegados durante o evento, a decisão foi não incluí-los na redação final do texto programático.

Com informações de Estadão Conteúdo

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