Vapes avançam entre jovens e elevam alerta para riscos de nicotina e doenças pulmonares

No Dia Mundial sem Tabaco, pneumologista do Hospital Márcio Cunha afirma que o dispositivo, proibido pela Anvisa, não é alternativa segura e pode levar a lesões irreversíveis.

27/05/2026 às 16:49 por Redação Plox

Proibidos no Brasil, os cigarros eletrônicos seguem ganhando espaço entre adolescentes e jovens adultos e se tornaram uma nova preocupação para especialistas em saúde. Com visual moderno, formatos discretos, cores chamativas e essências adocicadas, os chamados vapes passaram a integrar a rotina de muitos usuários, ampliando o desafio no enfrentamento ao tabagismo e elevando o alerta sobre riscos associados ao consumo contínuo, como a alta carga de nicotina e doenças pulmonares graves.

Sugestão de pauta: Cigarro eletrônico preocupa especialistas e acende alerta entre jovens

Foto: Divulgação

A discussão ganha ainda mais visibilidade no Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio. Para o pneumologista Dr. Marcos de Abreu Lima Cota, do Hospital Márcio Cunha, a ideia de que esses dispositivos seriam uma opção “mais segura” não se sustenta. Ele aponta que o produto pode entregar nicotina em quantidade elevada — em alguns casos, superior à do cigarro convencional — e ressalta que, por serem proibidos pela Anvisa, não há parâmetros de controle que garantam ao consumidor a dose presente em cada item.

Uso discreto e apelo entre os mais jovens

Segundo o médico, a maneira como o vape é utilizado contribui para um consumo mais frequente. A ausência do cheiro forte típico do cigarro tradicional e o uso de aromatizantes tendem a reduzir a percepção de incômodo, o que pode favorecer a utilização até em ambientes fechados. Ele também observa que o formato de alguns modelos, semelhante ao de pendrives e outros dispositivos tecnológicos, chama a atenção de jovens e pode alcançar até crianças.

Nicotina em alta velocidade e maior risco de dependência

Outro fator destacado pelo pneumologista é o potencial de vício. A nicotina, conforme explica, é absorvida de forma rápida e intensa, o que pode aumentar a dependência química. Na prática, isso leva muitos usuários a recorrerem ao dispositivo mais vezes ao longo do dia do que ocorreria com o cigarro convencional, ampliando a exposição e o risco de se tornarem dependentes.

Influência social, sensação de modernidade e falsa ideia de menor dano

O especialista também relaciona a popularização do cigarro eletrônico à influência de tendências e ao peso do ambiente social. Na avaliação dele, o design atrativo, o cheiro agradável e a associação com tecnologia e status ajudam a explicar por que o produto se espalhou entre jovens. O problema, reforça, é que essa imagem pode encobrir o fato de que o usuário continua inalando nicotina em grandes quantidades e outras substâncias capazes de provocar danos importantes aos pulmões.

O médico alerta ainda para o risco de se acreditar que o cigarro eletrônico seria menos prejudicial. Ele afirma que essa interpretação é equivocada e pode ser perigosa, já que há registros de quadros pulmonares severos associados ao uso do dispositivo, com evolução para insuficiência respiratória, necessidade de ventilação mecânica e possibilidade de sequelas permanentes. Entre os principais perigos citados estão inflamações pulmonares graves, lesões irreversíveis e comprometimento respiratório intenso, sobretudo em usuários jovens.

Orientação para quem quer parar

Para quem já utiliza cigarro eletrônico, o pneumologista recomenda buscar atendimento médico como primeiro passo. A orientação é procurar, de preferência, um especialista em pneumologia para definir uma estratégia individualizada, que pode incluir adesivos e goma de nicotina, além de medicações específicas. Ele também reforça a importância de estabelecer uma data para abandonar o hábito.

No Dia Mundial sem Tabaco, a recomendação central é reforçar informação e conscientização como formas de impedir que uma nova geração desenvolva dependência da nicotina e enfrente, de maneira precoce, doenças pulmonares graves.

Hospital Márcio Cunha

O Hospital Márcio Cunha é um hospital geral de alta complexidade com mais de 60 anos de atuação. A instituição possui 558 leitos e três unidades, incluindo uma exclusiva para tratamento oncológico. Segundo a apresentação institucional, atende uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e reúne cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com serviços em áreas como ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva (adulta, pediátrica e neonatal), urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular e oncologia adulto e infantil.

No último ano, foram registrados cerca de 5.580 partos, aproximadamente 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias e mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, o hospital contabilizou mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.

O HMC informa ainda que foi o primeiro hospital do país acreditado em nível de excelência (ONA III) pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, aparece por sete anos consecutivos entre as melhores unidades hospitalares do Brasil em classificação da revista norte-americana Newsweek, ocupando o 6º lugar em Minas Gerais.

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