Wellington Dias diz que 5,1 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família após aumento de renda

Ministro citou dados da FGV sobre a saída de beneficiários e respondeu a críticas de Luciano Huck em programa da EBC, em Brasília.

27/05/2026 às 12:55 por Redação Plox

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou nesta quarta-feira (27), em Brasília, que 5,1 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família desde 2023 após aumento de renda. Segundo ele, o número representa impacto direto sobre cerca de 15 milhões de pessoas e contraria a ideia de que beneficiários permanecem no programa de forma indefinida.

Bolsa Família retirou 5,1 milhões de famílias da pobreza, diz ministro

Bolsa Família retirou 5,1 milhões de famílias da pobreza, diz ministro

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Ministro rebate crítica sobre dependência do benefício

A declaração foi dada durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação. Dias respondeu a críticas recentes feitas pelo apresentador Luciano Huck, que havia sugerido que parte dos beneficiários buscaria permanecer no programa “eternamente”.

Para o ministro, esse tipo de avaliação reforça preconceitos contra a população de baixa renda. Ele afirmou que os dados mostram que o Bolsa Família funciona como apoio temporário para muitas famílias, especialmente quando combinado com acesso à educação, saúde e inclusão produtiva.

Estudos apontam saída do programa e avanço na renda

Wellington Dias citou estudos sobre os efeitos do Bolsa Família no longo prazo. Levantamento divulgado pela Fundação Getulio Vargas aponta que 60,68% dos beneficiários acompanhados desde 2014 haviam deixado o programa até 2025. Entre adolescentes que tinham de 15 a 17 anos em 2014, a taxa de saída chegou a 71,25%.

O ministro também destacou dados associados ao empreendedorismo. Segundo ele, 5,9 milhões de inscritos no Cadastro Único atuam como pequenos empreendedores, em atividades como salões de beleza, mercadinhos e outros negócios de base familiar. Ainda conforme Dias, cerca de 1,3 milhão de trabalhadores estão empregados hoje por pessoas que já foram beneficiárias do Bolsa Família.

IDH e contrapartidas entram no debate

Outro ponto citado pelo ministro foi a melhora do Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil. Relatório divulgado com base em dados do Pnud apontou que o país alcançou IDH de 0,805, entrando no grupo de desenvolvimento humano “muito alto”. Dias relacionou o avanço a políticas públicas de renda, saúde e educação.

Para receber o Bolsa Família, as famílias devem cumprir condicionalidades. Na saúde, há acompanhamento de gestantes, vacinação e monitoramento nutricional de crianças. Na educação, crianças e adolescentes precisam estar matriculados e manter frequência escolar mínima, conforme as regras do programa.

Governo defende programa como porta de saída da pobreza

Segundo o ministro, o valor médio pago às famílias fica em torno de R$ 700 mensais e ajuda no acesso à alimentação e a outros benefícios sociais, como tarifa social de energia, vale-gás e Farmácia Popular. Ele afirmou que o objetivo do governo é ampliar a renda e criar condições para que as famílias deixem a pobreza de forma permanente.

O governo também mantém a chamada Regra de Proteção, que permite a continuidade parcial do benefício por período determinado quando a renda familiar aumenta, desde que permaneça dentro dos limites previstos. A medida busca evitar que famílias percam imediatamente o apoio ao ingressar no mercado de trabalho.

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