Anvisa proíbe fita clareadora dental 9D White Teeth Whitening Strips em todo o Brasil
Agência determina apreensão de todos os lotes do produto, que nunca passou por avaliação de segurança e eficácia; especialistas alertam para riscos de queimaduras gengivais, sensibilidade e desgaste do esmalte
28/01/2026 às 08:54por Redação Plox
28/01/2026 às 08:54
— por Redação Plox
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu nesta terça-feira (27/1) a comercialização, importação, propaganda e uso da fita 9D White Teeth Whitening Strips, destinada ao clareamento dental. A decisão inclui também a apreensão de todos os lotes disponíveis no mercado.
Imagem ilustrativa
Foto: Pixabay
Segundo a Anvisa, a empresa responsável pelo produto, a VM Global Trade, não possui autorização de funcionamento para atuar na área. Além disso, o produto 9D White Teeth não está regularizado na agência, embora tenha sido importado e comercializado no país. A empresa não foi localizada pela reportagem.
Nas redes sociais, circulam diversos vídeos de pessoas que utilizam as fitas e relatam resultados rápidos no clareamento dos dentes. Esses itens são facilmente encontrados em plataformas virtuais de venda, o que amplia o alcance do produto entre consumidores.
Produto não passou por avaliação da Anvisa
O cirurgião-dentista Flávio Pinheiro, mestre em ciências cirúrgicas pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que, por não ser regulado pela Anvisa, o produto não foi submetido a qualquer análise de segurança ou eficácia no Brasil, o que representa risco direto à saúde do consumidor.
Ele explica que, quando regularizadas, as fitas clareadoras costumam ter ação superficial, geralmente sem peróxidos ou com concentrações muito baixas, e não podem prometer resultados semelhantes aos do clareamento realizado em consultório odontológico.
Para o especialista, o problema central não é o formato em fita, mas a falta de regularização, como no caso da 9D White Teeth Whitening Strips. Por se tratar de substâncias que entram em contato direto com dentes e gengiva, o uso de produtos não autorizados pode causar queimaduras gengivais, aumento da sensibilidade e desgaste do esmalte.
Popularização e uso sem orientação preocupam especialistas
A cirurgiã-dentista Aléxia Homem Nunes, pesquisadora do grupo de trabalho de saúde bucal coletiva da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), destaca que a principal preocupação em relação às fitas clareadoras é a popularização e a comercialização indiscriminada, especialmente quando associadas a promessas de resultados rápidos e eficazes.
Como muitas vezes não há informação clara sobre a concentração dos componentes, as pessoas acabam repetindo o uso na tentativa de obter um efeito maior, o que amplia os riscos — Aléxia Homem Nunes
Ela ressalta que, embora existam no mercado produtos para saúde bucal devidamente regularizados, o clareamento dental é um procedimento de saúde que deve ser feito com avaliação individualizada por um cirurgião-dentista. Além disso, fitas clareadoras não atingem os mesmos resultados do clareamento em consultório e, quando produzem algum efeito, ele tende a ser superficial, mais relacionado ao brilho do dente do que à mudança real da cor.
Avaliação odontológica deve vir antes da compra pela internet
Nunes chama atenção para o fato de que muitas alterações de cor podem ser resolvidas apenas com limpeza profissional, especialmente nos casos de pigmentação extrínseca. Por isso, a orientação é que a população procure uma unidade de saúde e passe por avaliação odontológica antes de recorrer a produtos vendidos pela internet.
Ela alerta que o uso indiscriminado de clareadores não regularizados expõe a saúde bucal a riscos e pode levar a tratamentos desnecessários, que seriam evitados com acompanhamento profissional adequado.