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Em 26 de abril de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), a fábrica de produção de insulina da farmacêutica Biomm. A unidade marca a entrada do Brasil na produção nacional de insulina glargina após mais de duas décadas e foi implantada com forte participação do setor financeiro.
Lula participa da inauguração da Biomm, em Nova Lima
Foto: Presidência
No momento da inauguração, o Banco Master era o principal acionista da Biomm, com 25,86% de participação no controle da farmacêutica, por meio do Fundo Cartago. À época, o banco era comandado por Daniel Vorcaro, que não participou da cerimônia em Nova Lima.
Na solenidade, Lula dividiu o palanque com outros acionistas da Biomm, entre eles Walfrido dos Mares Guia e Lucas Kallas, empresário do setor de mineração. Mares Guia, ex-ministro e amigo do presidente, detinha 5,2% das ações ordinárias da companhia.
A nova planta industrial em Nova Lima foi projetada como unidade estratégica para a produção nacional de insulina glargina, com capacidade estimada para atender até 80% da demanda interna do Brasil. Para viabilizar o projeto, a Biomm obteve R$ 203 milhões em crédito da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), além de outros R$ 133 milhões via operações de equity envolvendo BNDES e BDMG.
A inauguração também marcou a assinatura de um protocolo de intenções entre a Biomm e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O acordo prevê um programa de cooperação mútua voltado ao desenvolvimento de plataformas de produção de medicamentos para o tratamento de doenças metabólicas.
Nesta semana, veio a público que, em dezembro de 2024, Daniel Vorcaro esteve com Lula no Palácio do Planalto em um encontro que não constou na agenda oficial do presidente da República. Também participaram da reunião o então futuro presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que havia sido contratado pelo Banco Master.
Em novembro de 2025, o Banco Central determinou a liquidação do Master em razão de sua situação financeira. Na mesma ocasião, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, que deixou a prisão dias depois, mediante uso de tornozeleira eletrônica e outras restrições. Ele é acusado de comandar uma série de fraudes, incluindo a venda do Master para o BRB, banco público de Brasília.
Outro acionista da Biomm, o empresário Lucas Kallas, vem sendo elogiado por Lula em eventos públicos recentes, mas já foi citado em diferentes investigações da Polícia Federal relacionadas ao setor de mineração. Kallas nega qualquer irregularidade. Tanto ele quanto Vorcaro são alvo de inquéritos sob relatoria do ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF).