Lula defende diplomacia e zona de paz na América Latina em fórum no Panamá

Em discurso no Fórum Econômico Internacional da América Latina, presidente critica intervenções militares, rejeita lógica de zonas de influência e propõe bloco econômico regional voltado à erradicação da fome

28/01/2026 às 16:34 por Redação Plox

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quarta-feira (28), que o “uso da força” não é capaz de enfrentar as mazelas da América Latina e que a “intervenção militar” deve ser substituída pela “diplomacia”. A fala ocorreu durante a sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá, onde Lula também afirmou que os Estados Unidos “já souberam” atuar como parceiros dos países da região.

Luiz Inácio Lula da Silva

Luiz Inácio Lula da Silva

Foto: Ricardo Stuckert / PR


Antes, o petista já havia criticado, em diversas oportunidades, a ação militar dos EUA no território da Venezuela, que capturou, em 3 de janeiro, o então ditador venezuelano Nicolás Maduro e a esposa dele, Cília Flores.

Lula rejeita “zonas de influência” e investidas neocoloniais

Durante o discurso, Lula argumentou que a força não abre caminho para soluções duradouras na região e condenou iniciativas externas de caráter neocolonial, voltadas a recursos estratégicos, classificando esse tipo de postura como um retrocesso histórico.

Nesse contexto, o presidente afirmou que a ideia de “liberdade contra o medo” está ligada ao desarmamento e à limitação do recurso à força e a agressões entre países. Para ele, a região precisa de lideranças comprometidas com mecanismos institucionais capazes de articular, de forma equilibrada, os diferentes interesses nacionais.

Zona de paz, cooperação e soberania na região

Na avaliação do petista, essa articulação é condição essencial para manter a América Latina e o Caribe como uma zona de paz e cooperação, regida pelo direito internacional. Segundo ele, isso depende de uma inserção soberana dos países latino-americanos no cenário global.

Lula citou ainda momentos em que os Estados Unidos atuaram como parceiros do desenvolvimento regional e associou essa postura àquilo que definiu como política de boa vizinhança, com foco em substituir intervenções militares por canais diplomáticos.

Integração econômica e combate à fome

O presidente declarou que nenhum país da América Latina será capaz de resolver seus problemas isoladamente e defendeu a mudança desse comportamento, com a construção de um bloco econômico orientado para a erradicação da fome.

Segundo Lula, a superação dos desafios regionais depende da vontade política conjunta de países como Chile, Argentina, Colômbia, Panamá, Venezuela e Honduras, em favor de mais integração econômica e cooperação política.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a