Novo modo de segurança do WhatsApp: como funciona a proteção contra ataques virtuais
Novo recurso bloqueia anexos e links de números desconhecidos, restringe ligações, status e grupos, e mira jornalistas, figuras públicas, dissidentes e ativistas sob ameaça de ataques sofisticados
28/01/2026 às 06:48por Redação Plox
28/01/2026 às 06:48
— por Redação Plox
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O WhatsApp começou a liberar na terça-feira (27) um modo de segurança avançado voltado a usuários que acreditam estar mais expostos ao risco de ataques cibernéticos.
Configurações rigorosas do WhatsApp
Foto: Divulgação/WhatsApp
Com a novidade, o aplicativo ativa o nível máximo de proteção, mas impõe algumas limitações de uso. Anexos e prévias de links enviados por números desconhecidos passam a ser bloqueados automaticamente, reduzindo a chance de infecções por malware e golpes direcionados.
O que muda com o modo de segurança avançado
O pacote de segurança inclui a ativação obrigatória da confirmação em duas etapas, mecanismo que dificulta que a conta seja registrada em outro celular sem autorização do dono.
O recurso também bloqueia ligações de números que não estejam na lista de contatos e restringe a visualização de informações de status, como “visto por último” e “online”, apenas para contatos salvos.
Outra mudança é que somente contatos podem adicionar o usuário a grupos, reduzindo a exposição a convites indesejados e possíveis tentativas de golpe em conversas coletivas.
Como ativar a proteção adicional no aplicativo
Para ativar a proteção extra, é necessário acessar o menu “Configurações”, selecionar “Privacidade”, entrar em “Configurações avançadas” e habilitar a opção “Configurações rigorosas da conta”.
Segundo o aplicativo, o modo é voltado sobretudo para perfis mais vulneráveis a ataques direcionados, como jornalistas e figuras públicas, que “podem precisar de proteções extremas contra ataques cibernéticos raros e altamente sofisticados”.
Esse recurso foi desenvolvido para os poucos usuários que podem ser submetidos a esse tipo de ataque. Por esse motivo, ele só deve ser ativado se você acreditar que pode ser alvo de uma campanha cibernética sofisticada. A maioria das pessoas não é visada por esses ataques
WhatsApp
A plataforma também passou a usar a linguagem de programação Rust em partes sensíveis do sistema, com o objetivo de reforçar a proteção de fotos, vídeos e mensagens contra programas espiões.
WhatsApp segue movimento de segurança mais rígida
O lançamento coloca o WhatsApp na mesma direção de outras empresas de tecnologia que oferecem a usuários mais expostos a opção de trocar conveniência por camadas extras de proteção.
Em 2022, a Apple introduziu o “Modo de Bloqueio”, que descreve como uma proteção extrema e opcional para “pouquíssimos indivíduos” sob risco de ameaças digitais avançadas. Disponível para iPhone e macOS, o recurso desativa a maior parte dos anexos de mensagens e das prévias de links, além de impor limites mais rígidos a chamadas no FaceTime e à navegação na web.
Já em 2025, o Android passou a oferecer o “Modo de Proteção Avançada” para usuários com “alta consciência de segurança”. Assim como o recurso da Apple, ele restringe funcionalidades em nome de mais segurança, incluindo a limitação de downloads de aplicativos potencialmente arriscados de fora da Play Store.
Efeito esperado em dissidentes, ativistas e outras plataformas
Especialistas em cibersegurança que atuam na proteção de integrantes da sociedade civil contra ataques de hackers veem o movimento como positivo. Segundo um pesquisador ouvido pela Reuters, o anúncio do WhatsApp representa “um desenvolvimento muito bem-vindo”.
O novo modo deve ajudar a proteger dissidentes e ativistas, além de pressionar outras empresas de tecnologia a reforçarem seus próprios serviços de segurança, avaliou John Scott-Railton, do Citizen Lab, grupo de pesquisa da Universidade de Toronto. Para ele, a expectativa é que outros sigam a mesma direção.