Câncer de cólon e reto avança no Brasil e alerta para diagnóstico precoce
Estimativa do INCA prevê cerca de 53,8 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028; especialista reforça sinais de alerta e importância da colonoscopia a partir dos 45 anos
28/02/2026 às 08:30por Redação Plox
28/02/2026 às 08:30
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
O mês de março traz um importante alerta para a saúde e convida a sociedade a refletir sobre um tema comum, mas ainda cercado de desinformação e medo: o câncer de cólon e reto, também chamado de câncer colorretal ou câncer de intestino. Um dos tumores mais frequentes no país, a doença tem altas chances de prevenção e cura quando identificada precocemente, o que reforça a importância da adoção de hábitos saudáveis e da realização de exames de rotina.
Foto: Divulgação
Dados da publicação Estimativa 2026 – Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional do Câncer (INCA), divulgada em fevereiro, apontam que o país deve registrar cerca de 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano entre 2026 e 2028, com risco estimado de aproximadamente 25 casos a cada 100 mil habitantes. Desse total, são previstos 26.270 diagnósticos entre homens e 27.540 entre mulheres. Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, o câncer colorretal ocupa a terceira posição entre os tipos mais frequentes no Brasil, com maior incidência nas regiões Sul e Sudeste.
Como o câncer de intestino se desenvolve
A doença se desenvolve no intestino grosso e pode surgir em qualquer parte do cólon ou do reto. Em geral, tem origem em alterações genéticas decorrentes de lesões benignas, como pólipos. O tipo adenocarcinoma responde por mais de 90% dos casos diagnosticados, o que evidencia o alto potencial de prevenção por meio do diagnóstico precoce.
O gastroenterologista, hepatologista e endoscopista, coordenador do Serviço de Gastroenterologia do Hospital Márcio Cunha (HMC), Dr. Rodrigo Lovatti, explica que o câncer de intestino costuma evoluir de forma lenta e silenciosa, o que dificulta o reconhecimento da doença nas fases iniciais.
O câncer de intestino pode não apresentar sintomas no começo, o que reforça a importância dos exames preventivos. Porém, existem sinais de alarme aos quais as pessoas devem ficar atentas, como presença de sangue nas fezes, mudança do hábito intestinal, seja por diarreia ou prisão de ventre, dor ou desconforto abdominal frequente, perda de peso sem explicação, cansaço excessivo e anemiaDr. Rodrigo Lovatti
Segundo o especialista, compreender como a doença se desenvolve ajuda a reduzir o medo e fortalece a prevenção. Ele ressalta que o câncer de intestino não surge de forma imediata: começa como um pequeno pólipo, semelhante a uma verruga, que pode ser removido antes de se transformar em um tumor. Nessa perspectiva, realizar a colonoscopia no momento adequado não significa apenas procurar câncer, mas impedir que ele se desenvolva, configurando um ato de cuidado consigo mesmo e com a família.
Importância do rastreamento e da colonoscopia
Apesar das possibilidades de prevenção, muitos casos ainda são diagnosticados em estágios avançados, o que compromete o tratamento e a qualidade de vida dos pacientes. De acordo com o médico, o câncer colorretal está entre os três tipos mais frequentes no Brasil e figura entre as principais causas de morte por câncer, cenário que reforça a necessidade de rastreamento adequado.
A colonoscopia é considerada o principal exame para identificar precocemente a doença. Além de permitir a visualização do intestino grosso, o procedimento possibilita a retirada de pólipos antes que se tornem malignos. Na prática, a colonoscopia não apenas detecta o câncer, mas pode impedir o seu surgimento, sendo um dos poucos exames na medicina que atuam, ao mesmo tempo, como diagnóstico e prevenção.
A recomendação é que pessoas sem fatores de risco iniciem o rastreamento a partir dos 45 anos. Quem possui histórico familiar de câncer de intestino deve começar o acompanhamento 10 anos antes da idade em que um familiar de primeiro grau recebeu o diagnóstico. Assim, se um parente foi diagnosticado aos 50 anos, por exemplo, o rastreamento deve ser iniciado aos 40.
Fatores de risco e mudanças de hábito
Além da idade e da predisposição genética, hábitos de vida influenciam diretamente o risco de desenvolvimento da doença. Entre os fatores que aumentam a probabilidade de surgimento do câncer estão o consumo frequente de carnes processadas e ultraprocessadas, o baixo consumo de fibras, o sedentarismo, a obesidade, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e a presença de doenças inflamatórias intestinais.
Para reduzir os riscos, o especialista reforça que pequenas mudanças na rotina podem fazer diferença significativa. Entre as medidas recomendadas estão: consumir mais frutas, verduras, legumes e grãos integrais, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, praticar atividade física regularmente, manter o peso adequado, não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool e realizar exames preventivos nos períodos indicados. São atitudes simples, mas consideradas extremamente eficazes quando bem executadas.
Hospital Márcio Cunha em números
Hospital Márcio Cunha
Hospital geral de alta complexidade com 60 anos de atuação, o Hospital Márcio Cunha conta com 558 leitos e três unidades, sendo uma delas exclusiva para o tratamento oncológico. A instituição atende a uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e reúne cerca de 500 médicos em 58 especialidades.
A estrutura contempla serviços de ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular, oncologia adulto e infantil, entre outros.
No último ano, foram realizados cerca de 5.200 partos, aproximadamente 36 mil internações, mais de 18 mil cirurgias e mais de 60 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram registradas mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.
O HMC foi o primeiro hospital do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III) pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, está classificado pela revista norte-americana Newsweek entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, ocupando a 6ª posição em Minas Gerais e a 27ª no ranking nacional.