Diferença salarial entre homens e mulheres chega a 21,3% no Brasil, aponta MTE

Relatório do ministério indica que mulheres recebem, em média, 78,7% do salário dos homens em 53,5 mil empresas com mais de 100 funcionários

28/04/2026 às 13:49 por Redação Plox

A diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil é de 21,3% nas 53,5 mil empresas com mais de cem funcionários, segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). A remuneração média das mulheres é de R$ 3.965,94, enquanto a dos homens chega a R$ 5.039,68.

  • Apesar de a desigualdade se manter em torno de 20%, a contratação feminina cresceu 11% desde 2023, quando os dados começaram a ser medidos após a publicação da Lei da Igualdade Salarial, em julho daquele ano.
    Diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil é de 21,3% nas 53,5 mil empresas com mais de cem funcionárioscrédito: Fernando Frazão / Agência Brasil

    Diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil é de 21,3% nas 53,5 mil empresas com mais de cem funcionárioscrédito: Fernando Frazão / Agência Brasil


    Diferença se mantém

 De acordo com o relatório, em 2023 as mulheres recebiam, em média, 20,7% a menos do que os homens. Em abril de 2026, a diferença passou para 21,3%, patamar considerado estável em relação a novembro de 2025, quando estava em 21,2%. Hoje, as mulheres recebem, em média, 78,7% do salário dos homens.

Presença feminina no emprego formal cresce, com destaque para mulheres negras

Um dos principais pontos do estudo é o avanço da participação feminina no emprego formal. O número de mulheres ocupadas passou de 7,2 milhões para 8 milhões, alta de 800 mil trabalhadoras com vínculo formal entre 2023 e 2026.

Entre mulheres negras — pretas e pardas —, o crescimento foi ainda maior: 29%. O total de vínculos subiu de 3,2 milhões para 4,2 milhões no mesmo período, com mais 1 milhão de novas trabalhadoras.

Também aumentou o número de estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras, que chegou a 21.759 unidades, alta de 3,6% em relação ao relatório anterior.

MTE aponta impacto do tempo de empresa e desafios para reduzir a distância

Para Paula Montagner, subsecretária de estatísticas e estudos do Trabalho do MTE, a variação negativa de apenas 0,6 ponto percentual é pequena diante do volume analisado, considerando que o número de mulheres contratadas aumentou, o rendimento subiu e também cresceu o total de empresas com cem ou mais funcionários.

O rendimento se moveu de forma positiva, assim como o total de mulheres contratadas para cargos de gerência e direção

Paula Montagner

Segundo ela, a massa de rendimentos das mulheres avançou de 33,7% para 35,2%. Ainda assim, para alcançar uma participação equivalente à presença masculina no emprego — hoje em 41,4% — seria necessário um aumento de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos totais.

Montagner também afirma que o rendimento dos homens continua a crescer pelo maior tempo de empresa, o que pode tornar a redução da desigualdade mais difícil quando esse critério pesa em promoções, mesmo com desempenho semelhante. Ela avalia que esse efeito tende a diminuir caso a economia e os salários sigam em alta.

Queda da remuneração relativa em faixas de tamanho de empresa

A distância salarial aumentou em recortes específicos por tamanho. Nas empresas de 251 a 500 empregados, a remuneração relativa caiu de 82,2% para 80,9%. Já nas companhias de 1.001 a 2.000 empregados, recuou de 76,5% para 75,2%.

Empresas ampliam políticas internas, como jornada flexível e auxílio-creche

O relatório aponta avanços em práticas internas: a oferta de jornada flexível subiu de 40,6% para 53,9% das empresas, enquanto o auxílio-creche passou a ser oferecido por 38,4% das companhias, ante 22,9% no início da série.

Também cresceu o número de empresas com licenças maternidade e paternidade estendidas, que foi de 20% para 29,9%. A oferta de planos de cargos e salários avançou de 55,5% para 66,8%. Já a proporção de empresas que afirmam promover mulheres subiu de 63,8% para 75,7%.

Lei da Igualdade Salarial exige relatórios e publicidade dos dados

O estudo analisou 19,3 milhões de vínculos formais, com base em dados disponíveis na Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e nas informações prestadas pelas empresas.

Sancionada em 3 de julho de 2023, a Lei da Igualdade Salarial determina que empresas com cem ou mais empregados adotem medidas para assegurar a igualdade salarial entre homens e mulheres, tornem públicos dados de remuneração e entreguem relatório semestral ao MTE.

No Brasil, a igualdade salarial já é garantida pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) desde 1943. A lei de 2023, segundo o texto, reforçou a obrigação de informar as movimentações por meio de relatórios — com previsão de multa para quem não cumprir — e ampliou a publicidade dos dados. A contratação feminina avançou, mas a diferença de remuneração segue em um patamar elevado.

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