Estudante de medicina de SC morta no Paraguai: o que já se sabe e o que ainda falta esclarecer

Caso é investigado como feminicídio em Cidade do Leste; vítima sofreu dezenas de golpes e apresentava indícios de estrangulamento, segundo o Ministério Público paraguaio

28/04/2026 às 10:43 por Redação Plox

A morte da estudante de medicina Julia Vitoria Sobierai Cardoso, no Paraguai, é investigada como feminicídio. Ela foi assassinada na sexta-feira (24), em Cidade do Leste. O principal suspeito é o ex-namorado, o também estudante de medicina Vitor Rangel Aguiar.

O corpo de Julia foi velado na segunda-feira (27), em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina.


Julia Vitoria era estudante de medicina e foi morta no Paraguai

Julia Vitoria era estudante de medicina e foi morta no Paraguai

Foto: Reprodução/Redes sociais


Crime foi descoberto por colega de apartamento

Segundo o Ministério Público do Paraguai, Julia dividia o apartamento com uma colega. Foi ela quem encontrou o corpo e acionou as autoridades.

A estudante foi localizada em um imóvel no bairro Obrero, com ferimentos causados por faca e tesoura de unha em diversas partes do corpo. O corpo foi encaminhado para autópsia em Assunção, capital do país, para confirmar a causa da morte.

A família da jovem foi informada sobre o crime pelos investigadores.

Quem era Julia Vitoria

Natural de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, Julia tinha 22 anos e viveu por muitos anos em Navegantes com a família. Desde 2025, morava no Paraguai, onde cursava Medicina na Universidad de la Integración de las Américas (UNIDA).

Ao g1, a amiga Sara Cazarotto disse que o sonho de Julia, desde a adolescência, era se tornar pediatra e que ela também desejava construir uma família. O relato destaca o esforço da estudante e a ligação que tinha com crianças.

Ela era muito esforçada e estudiosa, era o sonho dela viver essa promessa, ela amava crianças! Ela sempre quis construir a família dela e um dia ser mãe, e ele tirou tudo isso dela

Sara Cazarotto

As duas se conheceram na adolescência, em Navegantes, e chegaram a viajar juntas para a Europa no início deste ano. Sara também descreveu Julia como uma pessoa inspiradora e dedicada aos estudos.

Investigação aponta violência extrema e suspeita de motivação ligada ao fim do relacionamento

De acordo com o promotor Osvaldo Zaracho, responsável pelo caso, Julia foi atingida por 58 golpes de tesoura de unha e outros sete de faca. Um laudo também identificou ferimentos no pescoço, indicando que ela teria sido estrangulada. As armas usadas no crime foram apreendidas.

A suspeita, ainda segundo o promotor, é que o crime tenha sido cometido por Vitor por não aceitar o fim do relacionamento. Ele afirmou que o homem estaria se reaproximando como amigo e que, na sexta-feira, foi até o apartamento onde Julia morava, supostamente para conversar.

Outras pessoas estavam no apartamento no momento do crime

Segundo o promotor, vítima e suspeito não estavam sozinhos no imóvel. Além deles, o namorado da colega de Julia, que dividia o apartamento com a estudante, também estava no local.

Ele relatou às autoridades que ouviu um barulho vindo do quarto e perguntou se havia algum problema. O suspeito teria respondido que não.

Horas depois, por volta das 17h, a colega de Julia chegou ao apartamento e encontrou o corpo da jovem. Conforme o promotor, a porta estava completamente fechada e o acesso foi feito à força pela varanda.

Suspeito está foragido e pode ter voltado ao Brasil

Vitor Rangel Aguiar está foragido e pode ter retornado ao Brasil após o crime, segundo o promotor. Os investigadores contataram o irmão e os pais do suspeito e foram recebidos no apartamento pelo irmão, que teve o celular apreendido para auxiliar na apuração.

A investigação conta com cooperação de autoridades brasileiras, com foco na localização do suspeito. O Ministério Público do Paraguai informou no sábado (25) que pretende formalizar em breve um pedido de captura internacional, embora já exista um protocolo de prisão em nível nacional por feminicídio.

Até a segunda-feira (27), o nome do suspeito não constava na difusão vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).

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