PF deflagra operação nacional contra abuso sexual infantil e cumpre 159 mandados
Ação ocorre nesta terça (28) em todos os estados e no DF, com 16 mandados de prisão e foco em identificar e prender suspeitos de crimes contra crianças e adolescentes.
Uma nova geração de tratamentos para a perda de peso vem mudando um cenário que, até pouco tempo, parecia difícil de transformar sem cirurgia. O destaque tem sido de injeções como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, que imitam um hormônio conhecido como GLP-1.
Ao mesmo tempo em que ganharam força no mercado pela eficácia no emagrecimento, esses medicamentos também passaram a ser associados a efeitos colaterais como náusea, vômitos, diarreia, dor abdominal, perda muscular e constipação.
Imagem ilustrativa.
Foto: Freepik
Agora, uma molécula supressora de apetite descoberta em 2025 por uma equipe da Stanford Medicine, na Califórnia, tem ganhado espaço na discussão científica por, naturalmente, ajudar a alcançar efeitos de perda de peso sem reproduzir os efeitos colaterais associados ao Ozempic.
Batizado de BRP, o composto foi identificado com apoio de uma ferramenta de inteligência artificial. Ele reúne 12 aminoácidos e atua diretamente no centro de controle do apetite no cérebro, o hipotálamo.
Giles Yeo, professor de neuroendocrinologia molecular no Departamento de Doenças Metabólicas do Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido, afirmou à DW que, por causa da barreira hematoencefálica, apenas duas regiões cerebrais percebem hormônios circulantes: o hipotálamo e o tronco encefálico.
Ele mira a sensação de saciedade, de estar desconfortavelmente cheio
Giles Yeo
Segundo a explicação, enquanto o hipotálamo funciona como sensor da fome, o tronco encefálico está ligado ao efeito visceral. As atuais canetas emagrecedoras também afetam o hipotálamo, assim como o BRP, mas atingem principalmente o tronco encefálico — e as sensações de saciedade que ele produz.
Uma das autoras do estudo, Katrin Svensson, afirma ainda que os receptores atingidos pelo GLP-1 também são encontrados no intestino, pâncreas e outros tecidos, o que pode gerar efeitos colaterais indesejáveis.
No caso do BRP, a hipótese apresentada é que ele atue por uma via diferente, afetando apenas o hipotálamo. Em testes com animais, camundongos tratados com o composto aparentaram perder gordura, mas não músculo — um ponto relevante porque a perda muscular é outro possível efeito colateral dos imitadores do GLP-1 que desagrada usuários.
O BRP pode representar um avanço, mas o caminho que levou à sua identificação também chamou atenção. Em busca de alternativas aos imitadores do GLP-1, pesquisadores de Stanford desenvolveram uma ferramenta de IA chamada Peptide Predictor, que analisou cerca de 20 mil genes humanos.
A partir desse rastreamento, foram identificados 2.683 peptídeos potenciais semelhantes a hormônios — cadeias curtas de aminoácidos. Depois, o grupo reduziu o número de candidatos e testou cerca de uma centena.
O BRP se destacou. Camundongos obesos que receberam injeções diárias do peptídeo perderam peso, enquanto os animais não tratados ganharam.
Randy J. Seeley, professor de cirurgia da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, avaliou que a amplitude da triagem foi um ponto marcante e disse estar impressionado com o trabalho.
Katrin Svensson, autora sênior do estudo de Stanford, cofundou uma empresa que planeja iniciar testes clínicos em humanos em um futuro próximo. Ainda assim, Seeley pondera que é difícil prever se os resultados observados em animais serão reproduzidos em humanos.
Para ele, a principal incerteza é se um medicamento baseado no BRP terá segurança suficiente para se tornar um tratamento aprovado para a obesidade — uma condição crônica que exige uso contínuo, o que aumenta a necessidade de alta segurança em longo prazo.
Os medicamentos do tipo GLP-1, por sua vez, também são versões adaptadas de um hormônio natural; a modificação faz com que durem mais tempo no corpo. O BRP, segundo o texto, também poderia ser alterado de forma semelhante.
Ainda que o BRP avance e supere as etapas de testes clínicos em humanos, os imitadores do GLP-1 tendem a manter relevância, já que oferecem benefícios além da perda de peso — como a possibilidade de reduzir risco cardiovascular.
Mesmo assim, o BRP entraria como uma alternativa importante diante de uma crise crescente. Yeo argumenta que ampliar o número de opções pode ajudar as pessoas a encontrarem a combinação mais adequada para sustentar o tratamento e manter o peso.
Ele também destaca a dimensão do problema ao apontar que há um bilhão de pessoas no mundo com obesidade e que, hoje, mais pessoas morrem de obesidade no mundo do que de fome.