PF encontra grande quantia de dinheiro na casa de auditor da Receita em operação no Porto do Rio

Operação Mare Liberum apura esquema de facilitação de contrabando e descaminho; 25 servidores foram alvo de buscas e afastados por ordem judicial

28/04/2026 às 11:22 por Redação Plox

Investigadores da Polícia Federal (PF) apreenderam uma montanha de dinheiro em espécie na residência de um auditor da Receita Federal, em Niterói (RJ), durante a Operação Mare Liberum, realizada na manhã desta terça-feira (28/4). O valor ainda será contabilizado.

A operação foi deflagrada com apoio do Gaeco, do Ministério Público Federal (MPF) e da Corregedoria da Receita Federal. O foco é reprimir um esquema de facilitação de contrabando e de descaminho no Porto do Rio.


Os dólares em espécie, um encontrados na residência de um auditor da Receita Federal, em Niterói (RJ), ainda serão contabilizados

Os dólares em espécie, um encontrados na residência de um auditor da Receita Federal, em Niterói (RJ), ainda serão contabilizados

Foto: Divulgação/PF Rio


Servidores afastados e alvo de buscas

Ao todo, 25 servidores da Receita Federal, entre auditores fiscais e analistas tributários, foram alvo de buscas. Por determinação judicial, eles foram afastados de suas funções.

De acordo com os dados citados no material, as fraudes constatadas somam cerca de R$ 86,6 bilhões, no período de julho de 2021 a março de 2026.

Indícios em quase 17 mil declarações de importação

Segundo a Receita Federal, quase 17 mil Declarações de Importação (DI) apresentam indícios de irregularidades. As cargas, que deveriam passar por fiscalização rigorosa, eram liberadas mesmo diante de inconsistências graves entre os produtos declarados e os efetivamente importados.

O auditor alvo da apreensão em Niterói é um dos servidores investigados no caso.


Os dólares em espécie, um encontrados na residência de um auditor da Receita Federal, em Niterói (RJ), ainda serão contabilizados

Os dólares em espécie, um encontrados na residência de um auditor da Receita Federal, em Niterói (RJ), ainda serão contabilizados

Foto: Divulgação/PF Rio


Como a investigação avançou

As apurações começaram em fevereiro de 2022, a partir de levantamentos internos da Corregedoria da Receita Federal. Nesse processo, foi identificada a existência de uma organização criminosa estruturada, formada por servidores públicos, despachantes aduaneiros e empresários.

Segundo as investigações, o grupo atuava de forma coordenada para liberar mercadorias de maneira irregular, com divergências entre os itens importados e os declarados, além de possível supressão de tributos.

Frentes de atuação e suspeita de propina milionária

As apurações apontaram três principais frentes de atuação. A primeira consistia na liberação direta de mercadorias classificadas nos canais vermelho e cinza, considerados de alto risco, sem o cumprimento das exigências legais.

Outra frente investigada envolve o setor de óleo e gás.

O material também informa que o pagamento de propinas seria recorrente e estruturado, com valores que chegam à casa de dezenas de milhões de reais ao longo do período investigado.

Crimes investigados

Os investigados poderão responder por crimes como corrupção, associação criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro, entre outros.

A ação contou com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal (GAECO/MPF) e da Corregedoria da Receita Federal.

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