PF deflagra operação nacional contra abuso sexual infantil e cumpre 159 mandados
Ação ocorre nesta terça (28) em todos os estados e no DF, com 16 mandados de prisão e foco em identificar e prender suspeitos de crimes contra crianças e adolescentes.
O Brasil registrou, em 2025, o maior número de acidentes e mortes no trabalho. Foram 806.011 acidentes e 3.644 óbitos no ano, segundo estudo da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
No recorte de uma década, entre 2016 e 2025, o país acumulou 6,4 milhões de acidentes e 27.486 mortes. O período também somou mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos por afastamentos temporários e cerca de 249 milhões de dias debitados, indicador que mede o impacto permanente de lesões graves e óbitos na vida dos trabalhadores.
Acidente em Araquari na quinta-feira (25)
Foto: PRF/Divulgação
O estudo foi elaborado a partir das Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) registradas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e no eSocial, bases que reúnem dados oficiais sobre acidentes e doenças relacionadas ao trabalho no país.
A pesquisa considera apenas trabalhadores com vínculo formal, ou seja, com carteira assinada.
Após a queda observada em 2020, em meio à retração econômica provocada pela pandemia de Covid-19, os acidentes voltaram a crescer de forma contínua. Entre 2020 e 2025, houve aumento de 65,8% nos registros de acidentes e de 60,8% nas mortes.
Embora a taxa de incidência — que relaciona o número de acidentes ao total de trabalhadores formais — tenha recuado ao longo da década, o avanço no número absoluto de casos aponta que a expansão do emprego formal não foi acompanhada por melhorias equivalentes nas condições de segurança.
Os números evidenciam que ainda há um longo caminho a percorrer. É fundamental fortalecer a cultura de prevenção, aprimorar as condições de trabalho e ampliar a atuação integrada entre governo, empregadores e trabalhadores para reduzir acidentes e salvar vidas.
Alexandre Scarpelli
Em números absolutos, São Paulo concentra o maior volume de acidentes e mortes, reflexo do tamanho da economia. Em 10 anos, foram 2.219.859 acidentes (34,4% do total nacional) e 6.517 óbitos (23,7%).
Os estados do Sul e Sudeste — São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro — concentram 68% dos acidentes e 62% das mortes, padrão associado ao peso industrial e do setor de serviços formais nessas regiões.
Na outra ponta, estados como Tocantins, Mato Grosso e Maranhão apresentam as maiores taxas de letalidade, o que indica maior gravidade dos acidentes.
Mato Grosso aparece como um caso de “duplo alerta”, ao combinar alta incidência e elevada mortalidade. O estado está entre os três primeiros tanto na taxa de acidentes quanto na de letalidade, reunindo o maior risco ocupacional do país.
Com 1.257 óbitos e taxa de letalidade de 9,24, cerca de 1 em cada 100 acidentes resulta em morte — o dobro da média nacional. O perfil econômico, baseado no agronegócio, no transporte de cargas e na construção de infraestrutura, ajuda a explicar o risco elevado.
Já nas regiões Norte e Nordeste, o estudo aponta uma “letalidade oculta”: apesar do menor volume de acidentes, estados como Tocantins, Maranhão, Pará, Rondônia e Piauí registram algumas das maiores taxas de mortes, indicando que os acidentes nessas regiões tendem a ser mais graves.
A análise por atividade econômica mostra diferenças marcantes nos riscos ocupacionais. O setor de saúde, especialmente o atendimento hospitalar, lidera em número absoluto, com mais de 500 mil acidentes, atribuído à alta concentração de trabalhadores e à sobrecarga das equipes, sobretudo no período pós-pandemia.
O transporte rodoviário de carga aparece como o segmento mais letal do país. Entre 2016 e 2025, o setor acumulou 2.601 mortes, com taxas de letalidade muito superiores à média nacional.
Por ocupação, os técnicos de enfermagem são os que mais sofrem acidentes, enquanto os motoristas de caminhão lideram as mortes, com 4.249 óbitos em 10 anos — mais de uma morte por dia, em média.
A construção civil também figura entre os setores mais perigosos, ao combinar alto número de acidentes com elevada mortalidade, especialmente em obras de edifícios, terraplenagem e montagem industrial.
Em obras de montagem industrial, o risco é descrito como extremo: a taxa de incidência chega a 80 mil acidentes por 100 mil trabalhadores, indicando exposição contínua ao perigo.
O estudo também registra mudanças no perfil dos acidentes. Os acidentes típicos, ocorridos durante a execução da atividade profissional, representam cerca de 65% do total, mas os acidentes de trajeto ganharam peso ao longo dos anos.
As doenças ocupacionais tiveram um pico atípico em 2020, impulsionadas pelos casos de Covid-19 reconhecidos como relacionados ao trabalho, especialmente entre profissionais da saúde.
Outro destaque é o crescimento da participação feminina. As mulheres passaram a representar 34,2% dos acidentes registrados, com alta de 48% ao longo da década, especialmente em setores como saúde, serviços e administração pública.
Apesar da recuperação econômica e da formalização do emprego, o estudo aponta que o crescimento sem investimento em segurança cobra um preço elevado: milhares de vidas interrompidas e milhões de trabalhadores afastados todos os anos.