PM abre sindicância após policial alegar perda de câmera corporal em ação que matou entregador na Ilha do Governador

Família de Lucas Rodrigues Rocha, de 25 anos, contesta versão de confronto e cobra esclarecimentos; caso é apurado por corregedorias e pela Polícia Civil.

28/05/2026 às 20:46 por Redação Plox

A Polícia Militar do Rio de Janeiro instaurou uma sindicância para apurar a alegação de um policial de que teria perdido a câmera corporal durante uma ação na Ilha do Governador, na Zona Norte, em que o entregador Lucas Rodrigues Rocha, de 25 anos, morreu baleado. A família contesta a versão oficial do confronto e cobra esclarecimentos sobre a atuação de agentes que aparecem em vídeos sem farda e sem o equipamento de gravação.

Policial militar deixa carro comum pelo porta-malas, já armado, antes de operação que resultou na morte de Lucas Rodrigues Rocha no Rio

Policial militar deixa carro comum pelo porta-malas, já armado, antes de operação que resultou na morte de Lucas Rodrigues Rocha no Rio

Foto: Reprodução


Lucas foi sepultado na quarta-feira (27), no Cemitério da Penitência, no Caju. Parentes afirmam que ele trabalhava com carteira assinada e fazia entregas por aplicativo nas horas vagas. A família diz que o jovem foi atingido na terça-feira (26) enquanto realizava uma entrega de moto na comunidade onde morava, na Vila Joaniza, na Ilha do Governador.

Vídeos mostram policiais sem farda e sem câmeras, diz família

Imagens de câmeras de segurança obtidas por familiares registram a chegada de um carro vermelho a um ferro-velho próximo ao local dos disparos por volta de 4h13. Nas gravações, segundo a família, seis policiais deixam o veículo — um deles saindo pelo porta-malas — e seguem a pé, armados, em direção à comunidade. Nas cenas, os agentes aparecem sem coletes e sem câmeras corporais aparentes, e em um trecho um policial parece impedir funcionários do ferro-velho de deixar o local.

Minutos depois, um dos policiais retorna ao veículo, que sai do ferro-velho e se encontra com um blindado da PM na rua; um agente entra no blindado e os veículos seguem na mesma direção, conforme a sequência registrada nas imagens. O telejornal RJ2, da TV Globo, informou que um dos policiais declarou que não usava câmera corporal por estar em

serviço reservado enquanto outro PM, que atuava em ação nas proximidades, afirmou ter perdido o equipamento.

Versões sobre o confronto e apuração oficial

A Polícia Militar sustenta que equipes faziam patrulhamento quando encontraram homens armados e houve confronto. A corporação informou que três suspeitos foram baleados, com dois mortos e um ferido. A Polícia Civil informou que as armas utilizadas na ocorrência foram apreendidas para perícia.

Em fala exibida na reportagem do RJ2, o promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior, subcoordenador do Gaesp (Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), afirmou que o uso de câmera corporal é obrigatório em ações com interação com civis. A PM não detalhou, até a publicação da reportagem que embasa esta matéria, a identificação e a situação funcional dos policiais que aparecem nas imagens, limitando-se a informar a abertura do procedimento na corregedoria.

O caso segue em apuração pelas corregedorias e pela investigação criminal, e o resultado das perícias deve ser considerado para esclarecer a dinâmica dos disparos e a conduta dos agentes envolvidos.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a