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Uma fintech investigada por supostamente integrar a estrutura financeira usada para lavar dinheiro ligado a fraudes e sonegação no setor de combustíveis movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão entre 2022 e 2025, apontam investigadores do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Suspeitos são alvos da operação
Foto: Reprodução
A empresa, chamada Smart Solutions, entrou na mira da Operação Fluxo Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28), como desdobramento da Operação Carbono Oculto.
A nova fase da ofensiva mirou um esquema que, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), teria mantido mecanismos de ocultação patrimonial e circulação de recursos mesmo após etapas anteriores das apurações. Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
As autoridades descrevem o uso de instituições de pagamento e fintechs como intermediárias para movimentar valores de dezenas de empresas investigadas, sobretudo do segmento de combustíveis. A suspeita é de que o modelo tenha criado camadas de ocultação para dificultar o rastreamento bancário e a identificação de beneficiários finais.
Entre os mecanismos citados pelos investigadores está a estrutura de “contas-bolsão”, em que recursos de diferentes clientes seriam concentrados em contas no nome das próprias instituições, enquanto a identificação dos reais titulares ficaria restrita a registros internos (“contas gráficas”). Para os investigadores, o acesso a esses registros é considerado decisivo para seguir o caminho do dinheiro.
Além da Smart Solutions e do BK BANK, a investigação menciona outras fintechs que teriam operado dentro do mesmo fluxo, incluindo CEOPAG, America Payment, SISPAY, VPAY, YAW e Safe Solutions. O MP-SP aponta ainda que parte dessas instituições teria flexibilizado procedimentos de controle e checagem de clientes, em possível falha de compliance/KYC (conheça seu cliente), permitindo a entrada de operações com sinais de irregularidade.
No caso da Smart Solutions, o MP-SP cita como investigados os sócios Renato de Souza Elbert, Juliana de Almeida Martins, Mauricio Paulo Matalon, Muriel Matalon e Michele Matalon. Até a última atualização das informações públicas disponíveis, não havia manifestação da defesa da fintech.
As apurações sobre a chamada “máfia do nafta” investigam a suspeita de desvio de solventes petroquímicos importados — com tributação menor — para uso ilegal na cadeia de combustíveis, com impacto fiscal estimado pelas autoridades em mais de R$ 200 milhões. Em relatórios citados por veículos nacionais, os investigadores também apontam indícios de “convergência criminal”, com compartilhamento de estruturas de lavagem e ocultação que teriam sido usadas por integrantes do ecossistema criminoso e, indiretamente, por atores ligados ao PCC.
A Operação Fluxo Oculto segue em andamento, e a investigação deve avançar com a análise de materiais apreendidos e dos registros internos das instituições financeiras e de pagamento citadas, além de eventuais medidas judiciais decorrentes da apuração.