Geração de empregos formais no Brasil soma 1,27 milhão em 2025, menor saldo em cinco anos

Geração de vagas perde fôlego após recuperação pós-pandemia; ministro Luiz Marinho atribui freio aos juros altos, enquanto indústria enfrenta crédito caro e falta de liquidez

29/01/2026 às 15:17 por Redação Plox

O Brasil criou 1,279 milhão de empregos com carteira assinada em 2025, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado é o menor saldo anual desde 2020, ano marcado pelo auge da pandemia de Covid-19 e pelo fechamento líquido de vagas formais.


Carteira de Trabalho.

Carteira de Trabalho.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Saldo anual de empregos cai ao menor nível desde a pandemia

Os números mostram uma trajetória de desaceleração na geração de postos de trabalho formais nos últimos anos. Após forte recuperação em 2021 e 2022, o ritmo perdeu força em 2023 e 2024, até chegar ao patamar de 2025.

Veja a evolução do saldo de empregos formais por ano:

Postos de trabalho formais criados por ano

2025: 1.279.498
2024: 1.677.575
2023: 1.455.279
2022: 2.014.894
2021: 2.782.295
2020: -189.393

Segundo o governo federal, o resultado de 2025 é fruto da diferença entre contratações e desligamentos registrados ao longo do ano. No total, foram contabilizadas:

26,599 milhões de contratações;
25,320 milhões de demissões.

Governo atribui freio nos empregos aos juros altos

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, associou a perda de fôlego na criação de vagas ao patamar dos juros no país. Em 2025, a taxa Selic, definida pelo Banco Central, alcançou 15% ao ano, elevando o custo do crédito e afetando decisões de investimento e contratação.

Procurei dialogar com o Banco Central mostrando que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo, não de desaceleração da economia. Não se trata de queda da economia, mas do ritmo de crescimento. Mas um processo de diminuição da velocidade. E isso acabou acontecendo.

Luiz Marinho

Marinho avaliou ainda que o impacto do chamado tarifaço aplicado pelos Estados Unidos a produtos brasileiros foi bem menor do que o efeito da elevação dos juros internos.

Na visão do ministro, as sobretaxas norte-americanas atingiram segmentos específicos, mas foram parcialmente compensadas por ações do governo, como a abertura de novos mercados externos pelo presidente Lula. Segundo ele, isso reduziu significativamente o peso dessas medidas sobre o conjunto da economia.

Setores afetados pelo tarifaço e pela falta de crédito

Técnicos do Ministério do Trabalho apontam que setores como madeira, móveis e calçados, com encomendas direcionadas aos Estados Unidos, foram diretamente prejudicados pelas medidas adotadas pelo presidente norte-americano Donald Trump.

A avaliação interna do governo, porém, é que a principal dificuldade da indústria em 2025 foi a falta de liquidez, consequência do custo elevado do crédito em um cenário de juros altos. A restrição ao financiamento teria pesado mais do que o tarifaço sobre a capacidade de investimento e geração de empregos no setor produtivo.

Serviços lideram abertura de vagas em 2025

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que houve criação de empregos formais em todos os cinco grandes setores da economia em 2025.

Serviços puxaram a alta, concentrando a maior parte do saldo positivo de vagas, enquanto agropecuária e construção civil registraram os menores avanços no emprego formal.

Veja o desempenho por setor:

Serviços: 758,3 mil vagas
Comércio: 247,1 mil
Indústria: 144,3 mil
Construção: 87,9 mil
Agropecuária: 41,9 mil

Esse perfil reforça a predominância do setor de serviços na dinâmica do mercado de trabalho brasileiro, ao mesmo tempo em que evidencia a criação mais modesta de postos na indústria e na construção civil, áreas sensíveis às condições de crédito e ao custo do financiamento.

Dezembro volta a registrar fechamento de vagas

Em linha com o padrão histórico, dezembro de 2025 teve fechamento líquido de postos de trabalho formais no país, reflexo sobretudo do fim de contratos temporários e ajustes sazonais de fim de ano.

Foram encerradas 618,2 mil vagas com carteira assinada no último mês de 2025, número superior ao registrado em dezembro de 2024, quando 555,4 mil empregos formais haviam sido fechados.

Esse movimento de desligamentos ao fim do ano contribuiu para moderar ainda mais o saldo anual de empregos, consolidando 2025 como o ano de menor criação de postos formais desde o início da pandemia.
Informações relatadas pelo portal de notícias G1.

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