Copom mantém Selic em 15% ao ano pela quinta reunião seguida
Banco Central segura taxa básica diante de incertezas externas, inflação ainda acima da meta e moderação no crescimento da atividade econômica
29/01/2026 às 10:10por Redação Plox
29/01/2026 às 10:10
— por Redação Plox
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (28) manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. Esta é a quinta reunião consecutiva em que o colegiado opta por preservar a taxa no mesmo patamar.
Copom decide pela manutenção da Taxa Selic
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em comunicado, o Copom avaliou que o ambiente externo segue marcado por incertezas, em especial pela conjuntura e pela condução da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos sobre as condições financeiras globais. Segundo o comitê, esse cenário exige cautela por parte das economias emergentes, em um contexto de tensão geopolítica.
Cenário doméstico e inflação acima da meta
No diagnóstico sobre a economia brasileira, o Copom afirmou que o conjunto de indicadores aponta para uma trajetória de moderação no crescimento da atividade, em linha com o esperado, enquanto o mercado de trabalho ainda demonstra resiliência.
O colegiado ressaltou que, nas divulgações mais recentes, tanto a inflação cheia quanto as medidas de inflação subjacente vêm mostrando arrefecimento, mas ainda permanecem acima da meta estabelecida para a política monetária.
De acordo com o comitê, as expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus para 2026 e 2027 seguem acima do objetivo perseguido pelo Banco Central, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente.
Riscos de alta e de baixa para a inflação
O Copom listou fatores de risco que podem pressionar a inflação para cima. Entre eles, uma eventual desancoragem prolongada das expectativas, uma resistência maior do que a projetada nos preços de serviços, em um contexto de hiato do produto mais positivo, e a combinação de políticas econômicas interna e externa que resulte em impacto inflacionário superior ao estimado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
Por outro lado, o comitê citou riscos de baixa para a inflação, como uma desaceleração da atividade doméstica mais intensa do que o previsto, com reflexos sobre os preços, uma desaceleração global mais forte decorrente de choques no comércio internacional e de maior incerteza, além de uma eventual queda dos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
Decisão e estratégia do Banco Central
Ao justificar a manutenção da Selic em 15% ao ano, o Copom afirmou que a decisão está alinhada à estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante da política monetária. O comitê acrescentou que, sem abrir mão do objetivo de garantir a estabilidade de preços, a política adotada também busca suavizar as oscilações da atividade econômica e contribuir para o pleno emprego.
O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
Copom
O que é a taxa Selic
A taxa Selic funciona como referência para o custo do crédito no país e para a remuneração de diversos tipos de investimentos financeiros. Decisões sobre seu nível influenciam diretamente juros cobrados por bancos e demais instituições, além de afetarem o comportamento da economia como um todo.