Pesquisa aponta que 9 em cada 10 moradores de SP foram alvo de golpes digitais em 2025

Levantamento da Fundação Seade revela que cerca de 30 milhões de moradores de São Paulo foram alvo de fraudes virtuais, com destaque para golpes via Pix e lojas virtuais falsas, que atingem sobretudo pessoas de maior renda e escolaridade

29/01/2026 às 13:50 por Redação Plox

Uma pesquisa inédita da Fundação Seade revela que nove em cada dez moradores do estado de São Paulo foram alvo de tentativas de golpe digital em 2023, o que corresponde a cerca de 30 milhões de pessoas. Desses, quatro em cada dez entrevistados afirmaram ter caído em fraudes envolvendo lojas virtuais falsas ou perdido dinheiro em golpes via Pix.

De acordo com o analista de pesquisas da Fundação Seade, Irineu Barreto, esse tipo de crime está disseminado no ambiente virtual e afeta, principalmente, pessoas com maior escolaridade, renda mais alta e em idade economicamente ativa.


Imagem ilustrativa.

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Foto: Reprodução/Freepik

Golpes miram usuários mais escolarizados e com maior renda

As tentativas de fraude ocorrem, em geral, por meio de mensagens de texto no celular, e-mails ou ligações telefônicas. A pesquisa aponta que os principais alvos são pessoas com ensino superior e renda familiar acima de 10 salários mínimos.

A sondagem também mostra que os criminosos têm usado redes sociais para criar perfis falsos de pessoas e empresas. A partir desses perfis, realizam vendas inexistentes, coletam dados dos usuários e pedem transferências via Pix.

Na Região Metropolitana de São Paulo, um em cada quatro entrevistados declarou ter feito transferências via Pix para golpistas. O mesmo grupo relatou ainda ter tido fotos roubadas em redes sociais, usadas por terceiros para solicitar dinheiro por aplicativos de mensagem ou nas próprias plataformas.

Crime digital avança na mesma velocidade da tecnologia

Segundo Irineu Barreto, os fraudadores acompanham de perto o avanço das ferramentas digitais, explorando brechas e comportamentos de consumo online.

Na medida em que algum fenômeno digital cresce, os golpistas vão atrás e procuram também explorar essa fragilidade. Eu diria que eles estão alguns passos na frente da prevenção

Irineu Barreto, Fundação Seade

Para ele, a expansão de meios de pagamento instantâneo e o aumento do consumo em plataformas virtuais criam um ambiente propício para o surgimento constante de novos golpes.

Descontos exagerados e pressão para pagar: sinais de alerta

O especialista em segurança digital João Brasio, CEO da Elytron Cybersecurity, recomenda que consumidores fiquem atentos a sinais de fraude, como preços muito abaixo do mercado, cobranças não reconhecidas e insistência do vendedor para que a negociação seja concluída rapidamente.

Ele cita como exemplo ofertas em que o valor do produto muda drasticamente conforme a forma de pagamento, com grande vantagem para o Pix, o que pode indicar tentativa de golpe.

Brasio também destaca que redes sociais deveriam adotar mecanismos mais eficazes de proteção aos usuários, já que permitem a veiculação de anúncios enganosos e, em alguns casos, recebem pagamentos de golpistas pela divulgação dessas publicidades.

Para o especialista, a combinação de desinformação, facilidade de pagamento e pouca checagem de origem das ofertas cria um cenário em que o usuário se torna especialmente vulnerável às fraudes digitais.

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