Adolescentes investigados pela morte do cão Orelha retornam ao Brasil após viagem aos EUA

Caso do cão Orelha, agredido na Praia Brava e eutanasiado por causa dos ferimentos, leva Polícia Civil a investigar quatro adolescentes e indiciar três adultos por tentativa de coação de testemunha

29/01/2026 às 14:08 por Redação Plox

Os dois adolescentes apontados como suspeitos de maus-tratos contra o cão comunitário Orelha, que morreu após ser agredido na Praia Brava, em uma das áreas mais nobres de Florianópolis, retornaram ao Brasil depois de uma viagem aos Estados Unidos, informou a Polícia Civil nesta quinta-feira (29). De acordo com a investigação, eles haviam deixado o país após a morte do animal para uma “viagem pré-programada”.


Cão Orelha, que foi agredido em Florianópolis

Cão Orelha, que foi agredido em Florianópolis

Foto: Reprodução/Redes sociais

Ao todo, quatro menores são investigados como autores do espancamento. Os outros dois já haviam sido alvo de uma operação policial realizada na segunda-feira (26).

Os nomes, idades e a localização dos adolescentes suspeitos de atacar Orelha não foram divulgados. A medida segue o que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê sigilo absoluto em procedimentos que envolvem menores de 18 anos.

Investigação e o que já foi apurado

O auto de apuração de ato infracional que investiga o envolvimento dos jovens foi instaurado pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE). Ainda não há data definida para que eles sejam ouvidos.

Três adultos — dois pais e um tio dos adolescentes — também foram indiciados. Eles são suspeitos de tentar coagir uma testemunha durante a investigação. Segundo a Polícia Civil, a vítima seria o vigilante de um condomínio, que teria em mãos uma foto capaz de ajudar a esclarecer o crime.

A atuação dos adultos na tentativa de interferir no depoimento passou a ser apurada paralelamente ao caso principal, que trata diretamente das agressões ao animal.

Como foi a agressão ao cão Orelha

A Polícia Civil aponta que Orelha foi agredido em 4 de janeiro, na Praia Brava. Ferido e agonizando, o cão foi encontrado por frequentadores do local, que o levaram a uma clínica veterinária. No dia seguinte, em 5 de janeiro, ele foi submetido à eutanásia em razão da gravidade dos ferimentos.

Exames periciais indicaram que o animal foi atingido na cabeça com um objeto contundente, isto é, sem ponta ou lâmina. O objeto usado nas agressões não foi localizado até o momento.

Paralelamente, a investigação apura a tentativa de afogamento de outro cão comunitário, chamado Caramelo, na mesma praia. Há imagens dos adolescentes carregando o animal no colo, e testemunhas relataram ter visto o grupo jogando o cachorro no mar.

O caso mobilizou moradores, comerciantes e turistas da região, que acompanham o andamento das apurações e cobram responsabilização pelos maus-tratos.

Imagens e análise de câmeras de segurança

Não há registro em vídeo do momento exato em que Orelha foi agredido, conforme informou a Polícia Civil. A identificação dos suspeitos foi feita a partir da análise de outros registros coletados na região no mesmo período, além de depoimentos de testemunhas.

De acordo com a investigação, mais de mil horas de gravações de câmeras de segurança estão sendo examinadas para tentar detalhar a dinâmica dos crimes e reforçar o conjunto de provas.

Quem era o cão comunitário Orelha

Orelha era um cão comunitário da Praia Brava e vivia em uma das casinhas instaladas para abrigar animais que se tornaram mascotes do local. Ele era cuidado por moradores e comerciantes da região, que se revezavam em alimentação, acompanhamento veterinário e proteção cotidiana.

Descrito por quem convivia com ele como um cachorro dócil e brincalhão, Orelha era muito querido por moradores e por quem frequentava a praia, incluindo turistas, e se tornou um símbolo dos cães comunitários da área.

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