Ouro dispara e renova recorde com tensão entre EUA e Irã e dólar pressionado

Metal precioso se aproxima de US$ 5.600 por onça em meio a ameaças de ataque dos EUA ao Irã, corrida por ativos de proteção, forte demanda por prata em Hong Kong e alta do petróleo, enquanto dólar segue sob pressão

29/01/2026 às 09:18 por Redação Plox

O preço do ouro disparou nesta quinta-feira (29) e atingiu um novo recorde, com cotação próxima de US$ 5.600 (mais de R$ 29 mil) por onça (31,1 gramas), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar ordenar um ataque militar contra o Irã. A escalada das tensões geopolíticas reforçou a busca por ativos considerados mais seguros pelos investidores.


Alta é impulsionada por tensões entre EUA e Irã e pela desvalorização do dólar, que aumentou a busca por ativos considerados seguros.

Alta é impulsionada por tensões entre EUA e Irã e pela desvalorização do dólar, que aumentou a busca por ativos considerados seguros.

Foto: Reprodução/Freepik

Favorecido também pela desvalorização do dólar, o aumento da procura por metais preciosos — vistos como investimentos de proteção em momentos de incerteza — impulsionou ainda uma alta temporária da prata nos mercados internacionais.

Ouro renova recorde em meio a ameaças contra o Irã

Em um dos momentos mais intensos da sessão no mercado asiático, o ouro chegou a subir mais de US$ 300, superando US$ 5.595 por onça. O movimento ocorreu depois que Trump reiterou que Teerã deveria negociar um acordo sobre seu programa nuclear, que países ocidentais acreditam ter como objetivo a produção de uma bomba atômica.

Na plataforma Truth Social, o presidente dos EUA publicou mensagens endurecendo o tom em relação ao Irã e indicando que o espaço para negociações estaria se estreitando. Para investidores, a combinação entre ameaça militar e impasse diplomático elevou o patamar de risco global e alimentou a corrida por proteção.

Trump também fez referência aos bombardeios promovidos pelos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas em junho do ano passado, ao advertir que um eventual novo ataque poderia ser ainda mais severo.

Paralelamente, um grupo de ataque naval americano, descrito por Trump como uma “armada” e liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, permanece em águas do Oriente Médio. O presidente afirmou estar preparado para agir com rapidez caso considere necessário, reforçando o clima de tensão na região.

Prata ganha espaço como alternativa mais acessível

O salto do ouro para patamares considerados proibitivos por parte dos pequenos investidores abriu espaço para a prata, que passou a ser vista como alternativa mais acessível para quem busca se expor à alta dos metais preciosos.

Em Hong Kong, a forte demanda levou compradores a migrar para barras de prata, diante da percepção de que o ouro se tornou caro demais. Apesar do aumento da oferta para tentar atender ao interesse crescente, lojas no centro financeiro semiautônomo chinês relataram o esgotamento de centenas de barras em pouco mais de uma hora.

Um aposentado de 65 anos que chegou por volta das 5h à loja Lee Cheong conseguiu adquirir cinco barras de prata e relatou que buscava uma forma rápida de investir em um ativo em alta, já que o ouro havia ficado “caro demais”. O movimento ilustra como a disparada do ouro reconfigurou, em poucas horas, o comportamento de parte dos investidores de varejo.

Metal vira alternativa em cenário de perda de credibilidade

Analistas de mercado destacam que a nova disparada do ouro não está diretamente ligada apenas ao temor de recessão, mas também a uma percepção mais ampla de fragilidade nas políticas econômicas e monetárias adotadas por governos e bancos centrais.

“O ouro é o oposto da confiança. Quando a credibilidade das políticas enfraquece, o metal deixa de atuar apenas como proteção e passa a ser uma alternativa. É isso que estamos vendo agora. Não se trata de medo de recessão”, avaliou o analista de mercados Stephen Innes.Stephen Innes

Na prática, o metal passa a funcionar não só como escudo, mas como substituto parcial de outras formas de reserva de valor, em especial em momentos de tensão geopolítica combinada com volatilidade cambial.

Petróleo sobe e dólar segue pressionado

O aumento das tensões no Oriente Médio também se refletiu no mercado de petróleo, com alta de quase 2% nas cotações internacionais. O West Texas Intermediate (WTI) alcançou o nível mais elevado desde setembro, enquanto o Brent do Mar do Norte atingiu a maior cotação desde julho, em meio a temores sobre possíveis impactos na oferta.

No câmbio, o dólar continuou pressionado, apesar de declarações oficiais em defesa de uma moeda americana forte. A tensão em torno da política externa dos Estados Unidos e os sinais de tolerância com uma moeda mais fraca mantiveram o cenário de volatilidade.

Em entrevista à CNBC, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, reforçou a posição histórica do governo americano em relação à moeda, um dia depois de Trump ter demonstrado apoio à desvalorização do dólar.

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