PF deflagra operação nacional contra abuso sexual infantil e cumpre 159 mandados
Ação ocorre nesta terça (28) em todos os estados e no DF, com 16 mandados de prisão e foco em identificar e prender suspeitos de crimes contra crianças e adolescentes.
Agentes localizaram cerca de R$ 2 milhões em dinheiro escondidos dentro de um piano na casa de uma auditora fiscal na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. O valor foi encontrado durante a Operação Mare Liberum, realizada nesta terça-feira (28).
Ao todo, quase R$ 4,5 milhões foram apreendidos em endereços de funcionários da Receita Federal. Segundo as investigações, servidores recebiam propina para facilitar a entrada de mercadorias no Porto do Rio.
Cerca de R$ 2 milhões foram achados dentro de piano na casa de auditora fiscal
Foto: Reprodução/TV Globo
A Justiça determinou o afastamento de 18 auditores e 7 analistas tributários. As apurações indicam que servidores federais teriam se aliado a empresários e despachantes, transformando o Porto do Rio na base de uma organização criminosa.
A atividade de comércio exterior é essencial para o estado brasileiro, pra economia brasileira. O controle aduaneiro protege o Brasil da entrada de mercadorias subfaturadas, de armas, de drogas, e tudo aquilo que pode entrar sem o devido pagamento de imposto de uma maneira nociva pra economia brasileira. Quem acaba pagando é a sociedade, como um todo
Guilherme Bibiani, corregedor da Receita Federal
A ação integrada entre Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal cumpriu 45 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio, Niterói, Nilópolis, Nova Friburgo e Vitória, no Espírito Santo.
Além do dinheiro encontrado no piano, as buscas apreenderam valores em moeda estrangeira: em Niterói, um auditor tinha US$ 358 mil, e outros US$ 200 mil foram localizados em um terceiro endereço.
Com um despachante, a polícia apreendeu ainda 54 garrafas de vinho, avaliadas em cerca de R$ 700 cada. Um analista foi preso em flagrante com uma arma sem registro dentro de casa.
A investigação começou a partir de uma denúncia e já é considerada a maior da história da Corregedoria da Receita. De acordo com a Polícia Federal, o esquema envolvia a liberação irregular de contêineres com mercadorias que, muitas vezes, eram diferentes das declaradas à Receita no momento da importação.
Segundo os investigadores, o grupo atuava com fraudes e pagamento de propina para reduzir o valor de impostos pagos pelas empresas.
Foram 17 mil declarações de importação no período, que vem lá de meados de 2021 até o início deste ano. Todos esses registros vão ser revistos pela aduana brasileira
Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal
A investigação estima um prejuízo de cerca de R$ 500 milhões aos cofres públicos. Nove despachantes foram proibidos de atuar no Porto do Rio, e a Justiça determinou o sequestro de R$ 102 milhões em bens dos investigados.
Um dos alvos da operação foi o auditor Pedro Antônio Pereira Thiago, ex-delegado da Receita no porto. De acordo com a Receita, um dos núcleos do esquema permitia a entrada de equipamentos do setor de óleo e gás sem o pagamento de impostos.
As alfândegas do Aeroporto Internacional do Galeão e a superintendência da Receita no Rio também foram alvo de buscas. O órgão informou que a operação não impacta as atividades de comércio internacional no estado.
Em nova declaração, Robinson Barreirinhas afirmou que haverá reforço de pessoal no Porto do Rio, com servidores de fora, e a alocação de 50 servidores para apoiar tanto as atividades atuais quanto a revisão de registros anteriores.
Os investigados podem responder por crimes como estelionato, corrupção, associação criminosa, contrabando, descaminho, sonegação e lavagem de dinheiro.
A Autoridade Portuária do Rio informou que não é alvo da investigação e não tem relação com os fatos apurados. Disse ainda que, apesar da operação, os trabalhos na Zona Portuária continuam.
Já o Sindicato dos Auditores da Receita afirmou que é importante uma apuração rigorosa dos fatos, com direito à ampla defesa dos acusados.