EUA classificam PCC como organização terrorista; facção surgiu em unidade prisional de Taubaté (SP)

Governo americano prevê incluir PCC e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras em 5 de junho de 2026, ampliando sanções e restrições financeiras; especialistas dizem que impacto depende de cooperação e do comportamento de bancos e plataformas.

29/05/2026 às 09:59 por Redação Plox

O governo dos Estados Unidos anunciou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) serão incluídos na lista americana de organizações terroristas estrangeiras, com entrada em vigor prevista para 5 de junho de 2026.

Unidade de Custódia de Taubaté

Unidade de Custódia de Taubaté

Foto: Reprodução/Google Street View


A decisão também enquadra os grupos como terroristas globais especialmente designados, o que amplia restrições financeiras e sanções no sistema americano.

No caso do PCC

No caso do PCC, a medida reacendeu a discussão sobre a origem e a expansão da facção: o grupo nasceu no início dos anos 1990 dentro da Casa de Custódia de Taubaté, no interior de São Paulo, unidade conhecida como “Piranhão” por receber presos considerados de alta periculosidade.

Casa de Custódia de Taubaté, no interior de São Paulo

Casa de Custódia de Taubaté, no interior de São Paulo

Foto: Reprodução/Street View


A facção se estruturou a partir de um movimento de presos que buscava organização interna e reivindicações no sistema prisional, em um período posterior ao massacre do Carandiru, em 1992, que deixou 111 detentos mortos.

Unidade de Taubaté está em processo de desativação

A Casa de Custódia de Taubaté está no centro de mudanças determinadas pela política pública que prevê o fechamento gradual de hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico no país.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instituiu a Política Antimanicomial do Poder Judiciário, com diretrizes para substituir esse modelo por atendimento na rede de saúde, sob acompanhamento especializado.

O tema, porém, é alvo de disputa institucional e política: em 2023, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou proposta de decreto legislativo para sustar a resolução do CNJ sobre a política antimanicomial, argumentando questionamentos sobre competência e impactos.

Como o Brasil enquadra PCC e CV

No Brasil, PCC e CV são tratados, em regra, como organizações criminosas no âmbito penal.

Já a classificação americana, anunciada pelo Departamento de Estado, tende a produzir efeitos sobretudo em investigações financeiras, rastreio de ativos e restrições de transações com conexões internacionais, além de elevar a tensão diplomática sobre o tema.

A designação anunciada por Washington ainda deve seguir seus trâmites internos e passa a valer na data indicada pelos EUA.

Autoridades brasileiras e especialistas têm apontado que a equiparação a “terrorismo” não é automática no ordenamento jurídico nacional e que eventuais impactos práticos dependerão de cooperação internacional e de como bancos e plataformas financeiras tratam o risco de sanções.

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