PEC do fim da escala 6x1 é aprovada na Câmara; veja a lista dos 22 deputados que votaram contra
Texto reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e segue agora para votação no Senado, também em dois turnos.
Um levantamento da Ativaweb DataLab divulgado pela revista Veja aponta que a Câmara dos Deputados e o Senado enfrentam um dos maiores ciclos recentes de pressão digital contra o Congresso Nacional. O estudo monitorou os últimos dez meses do debate político nas redes e identificou mais de 387,5 milhões de menções públicas relacionadas ao Legislativo brasileiro.
Fachada do Congresso Nacional
Foto: (Antônio Cruz/Agência Brasil)
Segundo a análise, o desgaste não estaria concentrado em um único episódio, mas em uma sequência de pautas que ampliaram a reação negativa nas plataformas, como debates econômicos, críticas a privilégios políticos, crises institucionais e a percepção de distanciamento entre parlamentares e a população.
Os presidentes das duas Casas aparecem como os principais alvos simbólicos desse movimento. De acordo com o levantamento, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, registrou 76,1% de sentimento negativo nas menções analisadas. Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, apareceu com 69,4% de sentimento negativo.
A Câmara dos Deputados teve 71,8% de menções com sentimento negativo, enquanto o Senado Federal registrou 74,2%, conforme a pesquisa. Entre os termos associados ao Congresso, apareceram expressões ligadas a críticas à política tradicional, privilégios e distanciamento da realidade dos trabalhadores.
O ambiente digital também dialoga com levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado nesta semana. A pesquisa apontou que Alcolumbre e Motta têm as piores avaliações entre os políticos medidos: 83% dos entrevistados disseram ter imagem negativa do presidente do Senado, e 82% afirmaram ter percepção negativa do presidente da Câmara.
O levantamento AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio de 2026, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06939/2026.
A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 adicionou uma nova camada de pressão sobre o Congresso. Segundo o estudo citado pela Veja, o tema passou de 31,8 milhões de menções nas plataformas monitoradas em apenas três dias, com maioria das manifestações favorável ao fim do modelo.
A Câmara aprovou a PEC 221/2019 em dois turnos na quarta-feira (27). No segundo turno, foram 461 votos favoráveis e 19 contrários. O texto segue agora para análise do Senado, onde deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça antes de ir ao plenário.
Com a pauta trabalhista avançando e o desgaste digital concentrado nas cúpulas das duas Casas, a tramitação no Senado deve ser o próximo teste político para Alcolumbre e Motta. A pressão nas redes não substitui o rito legislativo, mas indica que o debate sobre jornada de trabalho se tornou uma das principais vitrines públicas do Congresso em 2026.