Política

Separação de Guiomar e Gilmar Mendes encerra parceria mais influente de Brasília

Fim do casamento do ministro do STF com a socióloga conhecida como “12ª ministra” do Supremo põe ponto final em engrenagem social e política que articulou, por quase duas décadas, bastidores do Judiciário, da política e de outros centros de poder

29/11/2025 às 10:53 por Redação Plox

A separação de Guiomar Feitosa e do ministro Gilmar Mendes expõe o fim de uma das parcerias pessoais mais influentes de Brasília, um arranjo que, por quase duas décadas, ajudou a moldar relações entre o Judiciário, a política e outros centros de poder.

Conhecida nos bastidores como uma espécie de “12ª ministra” do Supremo Tribunal Federal (STF), Guiomar circulava com desenvoltura entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Anfitriã de jantares concorridos, ela reunia ministros, governadores, parlamentares e magistrados de diferentes instâncias, em encontros que reforçaram sua imagem de figura-chave na costura política informal da capital federal.

Guiomar (de azul) teve papel decisivo na conformação das relações entre Judiciário e política por quase 20 anos

Guiomar (de azul) teve papel decisivo na conformação das relações entre Judiciário e política por quase 20 anos

Foto: Rosinei Coutinho/STF


Separação põe fim a engrenagem informal do poder

A decisão de encerrar o casamento, revelada pela imprensa e confirmada por O TEMPO, já estava tomada quando Guiomar completou 73 anos, em uma festa prestigiada em Brasília. Mesmo com o fim definido, os dois ainda apareceram juntos em compromissos públicos.

Poucos dias depois, já separados, viajaram juntos a Lisboa e Roma, onde Gilmar participou de eventos jurídicos. O gesto foi interpretado como sinal de que, apesar da ruptura conjugal, a aliança pessoal e a parceria de confiança entre ambos seguem preservadas, em um movimento incomum para um casal que se desfaz após tantos anos de vida compartilhada.

De colegas de faculdade a casal influente

Gilmar e Guiomar encerram oficialmente uma união de 18 anos, construída sobre uma amizade iniciada em 1978, na Universidade de Brasília (UnB). À época, ambos se destacavam entre os alunos com as maiores médias do curso de Direito, o que aproximou seus caminhos ainda na juventude.

A relação, inicialmente de colegas e amigos, só evoluiu para namoro décadas depois, quando já estavam separados de antigos parceiros. O vínculo amadureceu e culminou no casamento em 2007, consolidando uma parceria que se projetaria para além da vida privada e ganharia peso político e institucional em Brasília.

Trajetória de Guiomar no centro do Judiciário

Ao longo desse período, Guiomar se firmou como uma protagonista silenciosa nos círculos jurídicos e políticos da capital. Trabalhou no Ministério da Justiça, foi braço-direito do então ministro Marco Aurélio Mello no STF e ocupou a secretaria-geral da Corte durante a presidência dele.

Esse percurso abriu portas e consolidou um trânsito natural no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em gabinetes de diferentes instâncias. Mais do que os cargos que ocupou, o que se destacou foi o capital de confiança e interlocução que ela acumulou, tornando-se referência para diferentes atores do poder.

A carreira de Gilmar e a retomada do vínculo

Gilmar Mendes, por sua vez, construiu carreira acadêmica na Alemanha, atuou como procurador, consultor jurídico, advogado-geral da União e, indicado por Fernando Henrique Cardoso, assumiu uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

Foi nesse contexto, no início dos anos 2000, que os dois voltaram a conviver com mais intensidade. O reencontro, facilitado pela atuação de ambos no meio jurídico e político de Brasília, reativou o laço criado na UnB e deu origem à relação que mais tarde se tornaria um dos arranjos pessoais e institucionais mais comentados dos bastidores da capital.

Família ampliada e laços que permanecem

A vida familiar também se entrelaçou de maneira profunda. Filhos, enteados e oito netos formam o “familião” que Guiomar descrevia ao falar da rotina do casal. Os netos do ministro a chamam de “vovó Guio”, e a expectativa manifestada por ambos é de que esse convívio continue, apesar da separação formal.

Entre amigos e interlocutores próximos, a disposição em manter a convivência familiar e o diálogo é vista como um desdobramento natural de uma história que passou por diferentes fases da vida pública e privada, sem perder a marca de parceria.

Casa de Guiomar deixa de ser epicentro do poder

Com humor fácil, forte senso de lealdade e capacidade de transitar entre mundos políticos distintos — incluindo relações com figuras de campos ideológicos variados, como a proximidade com a ex-primeira-dama Marisa Letícia —, Guiomar transformou sua casa em um dos principais pontos de encontro da elite política e jurídica de Brasília.

Seu afastamento do papel de “primeira-dama” informal do STF representa mais que uma mudança doméstica: simboliza o encerramento de uma engrenagem social e política que ajudou a costurar alianças, distensionar crises e abrir canais de diálogo entre adversários ao longo de quase duas décadas.

Fim de um eixo histórico de influência

A separação, descrita como amigável, redefine um eixo de influência que atravessou governos, crises políticas, reconciliações e disputas institucionais. A parceria entre Guiomar e Gilmar, construída na fronteira entre vida privada e vida pública, funcionou como um canal discreto e constante de aproximação entre diferentes grupos de poder.

Com o fim do casamento, esse eixo tende a perder parte da força que tinha no ambiente social dos Três Poderes, especialmente em Brasília e Lisboa, onde o casal mantinha presença frequente. A ruptura encerra um ciclo que marcou a forma como o poder se articulou, circulou e se encontrou fora das arenas formais da política e da Justiça.

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