Adolescentes suspeitos de maus-tratos que mataram cão comunitário serão ouvidos em Florianópolis

Polícia Civil afirma que depoimentos devem ocorrer na próxima semana com responsáveis; investigação analisa quase mil horas de câmeras e aguarda aprimoramento das imagens

30/01/2026 às 15:50 por Redação Plox

Os adolescentes suspeitos de maus-tratos contra o cão comunitário Orelha, que morreu após agressões na Praia Brava, em Florianópolis, devem ser ouvidos na próxima semana, acompanhados por seus representantes legais, informou a Polícia Civil nesta sexta-feira (30). Dois dos investigados estavam fora do país e retornaram ao Brasil na quinta-feira (29).


Cão Orelha

Cão Orelha

Foto: Reprodução

As agressões ocorreram no início de janeiro, mas só chegaram ao conhecimento da polícia em 16 de janeiro. O animal foi encontrado agonizando por pessoas que estavam na praia, levado a uma clínica veterinária, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.

Versão apresentada por um dos adolescentes

Segundo o delegado Renan Balbino, da Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE), um dos quatro adolescentes inicialmente identificados como suspeitos foi ouvido nesta semana e negou que estivesse na praia no momento das agressões.

A gente tem a versão dele, e a gente está aguardando a extração do celular dele para ver se tem alguma coisa. Mas, a princípio, estaria já descartada a participação dele – delegado Renan Balbino

Próximas oitivas e sigilo previsto no ECA

De acordo com o delegado, os demais adolescentes serão ouvidos na próxima semana, acompanhados de um responsável legal, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e na presença de um advogado, se assim desejarem. A data das oitivas ainda será definida.

Os nomes, idades e a localização dos suspeitos não foram divulgados, em razão do sigilo absoluto previsto pelo ECA para procedimentos que envolvem pessoas menores de 18 anos.

Análise de imagens e celulares

A Polícia Civil analisa quase mil horas de gravações de câmeras de segurança instaladas na região da Praia Brava no período das agressões ao cão Orelha. Segundo Balbino, um relatório complementar de investigação está sendo elaborado e deve auxiliar na elucidação do caso.

Um dos principais desafios é a falta de imagens do momento exato do espancamento. Registros de outros episódios ocorridos na mesma área e período, que também teriam sido protagonizados por adolescentes, estão sendo usados como apoio às apurações.

O delegado afirma que a investigação aguarda o aprimoramento das imagens pela Polícia Científica, o que permitirá, segundo ele, uma comparação facial entre os suspeitos e as pessoas que aparecem nos vídeos. A extração de dados dos telefones celulares dos adolescentes também é considerada fundamental para preencher lacunas na linha do tempo dos fatos.

No início da semana, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca em endereços dos adolescentes que permaneciam no Brasil. Na quinta-feira (29), outros dois mandados foram executados, com apreensão de celulares e roupas dos jovens que haviam retornado do exterior.

Outros atos ilícitos sob apuração

Os adolescentes também são investigados por possível participação em outros atos ilícitos ocorridos na região neste mês, como furto de bebida alcoólica, dano ao patrimônio e perturbação do sossego. Essas apurações serão tratadas em autos próprios de ato infracional, de acordo com a Polícia Civil.

O delegado destaca que se trata de um grupo numeroso de jovens e que muitas pessoas aparecem nos vídeos analisados pela equipe. As investigações já apontaram que os adolescentes envolvidos no caso do cão Caramelo, que sofreu uma tentativa de afogamento, não são os mesmos suspeitos de agredir Orelha.

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