Desemprego cai a 5,1% no fim de 2025 e atinge menor nível da série do IBGE
Pnad Contínua aponta recordes de ocupação e renda, mas informalidade segue alta e ainda sustenta parte relevante dos postos, especialmente no comércio e serviços
30/01/2026 às 12:52por Redação Plox
30/01/2026 às 12:52
— por Redação Plox
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O Brasil encerrou o trimestre terminado em dezembro de 2025 com taxa de desocupação de 5,1%, a menor já registrada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE.
No consolidado do ano, a taxa média de desemprego ficou em 5,6%, também a menor da série histórica da pesquisa. O número de pessoas ocupadas alcançou 103 milhões em 2025.
Ano de 2025 termina com recorde de carteira assinada e renda.
Foto: Reprodução / Agência Brasil.
O ano passado ainda registrou um patamar recorde de renda média mensal do trabalhador, que chegou a R$ 3.560. O valor representa alta de 5,7% (ou R$ 192) em relação a 2024.
Também o total de trabalhadores com carteira assinada foi o mais elevado já apurado, somando 38,9 milhões de pessoas, o que significa um aumento de 1 milhão de vínculos formais na comparação anual.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mercado de trabalho em 2025: queda do desemprego e ajustes na informalidade
Na taxa anual de 2025, o mercado de trabalho registrou os seguintes contingentes:
Desocupados: 6,2 milhões de pessoas, queda de cerca de 1 milhão (-14,5%) em relação a 2024.
Empregados da iniciativa privada sem carteira assinada: 13,8 milhões, recuo de 0,8% frente ao ano anterior.
Trabalhadores domésticos: 5,7 milhões, redução de 4,4%.
Trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões, o maior contingente já registrado nessa categoria.
A taxa anual de informalidade passou de 39% em 2024 para 38,1% em 2025. De acordo com a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, esse patamar é um “valor relevante” e reflete uma característica estrutural do mercado de trabalho brasileiro.
Segundo ela, a ocupação no país segue fortemente apoiada em postos informais, impulsionados principalmente por segmentos do comércio e de serviços.
Dependência estrutural da informalidade
Para Adriana Beringuy, a configuração do emprego no país ainda está ancorada em atividades com forte peso informal, especialmente em serviços de diferentes níveis de complexidade e no comércio.
Essa leitura ajuda a explicar por que, mesmo com recorde na renda média, altos níveis de ocupação e expansão das carteiras assinadas, a informalidade ainda responde por uma fatia significativa do mercado de trabalho.
Como a Pnad mede o mercado de trabalho
A Pnad Contínua, do IBGE, investiga o comportamento do mercado de trabalho entre pessoas com 14 anos ou mais, considerando todas as formas de ocupação: com ou sem carteira assinada, trabalho temporário e por conta própria, entre outras modalidades.
Conforme os critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou trabalho nos 30 dias anteriores à entrevista. A pesquisa visita 211 mil domicílios distribuídos por todos os estados e pelo Distrito Federal.
Na série iniciada em 2012, a maior taxa de desocupação foi de 14,9%, registrada em dois momentos: nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e em março de 2021, ambos durante a pandemia de covid-19.
Relação entre Pnad e Caged no acompanhamento do emprego
A divulgação da Pnad ocorre um dia depois da publicação de outro indicador do mercado de trabalho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que monitora apenas os vínculos formais, com carteira assinada.
De acordo com o Caged, dezembro de 2025 teve saldo negativo de 618 mil vagas formais. No entanto, no acumulado do ano, o balanço foi positivo, com a criação de quase 1,28 milhão de postos de trabalho com carteira assinada.