Corretora foi assassinada no prédio em intervalo de apenas 8 minutos, diz delegado
Daiane Alves, de 43 anos, foi vista em câmera de segurança no dia 17 de dezembro de 2025; Cléber Rosa de Oliveira, de 49, indicou onde deixou o corpo e teve prisão mantida em audiência de custódia
30/01/2026 às 10:16por Redação Plox
30/01/2026 às 10:16
— por Redação Plox
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A corretora de imóveis Daiane Alves, de 43 anos, foi morta em um intervalo estimado de oito minutos, segundo a investigação conduzida pelo delegado André Luiz Barbosa. Imagens de uma câmera de segurança do prédio onde ela morava, em Caldas Novas, registram o momento em que ela entra no elevador poucos minutos antes de desaparecer.
Corretora foi morta no prédio em um intervalo de 8 minutos, diz delegado
Foto: Reprodução
O síndico do condomínio, Cléber Rosa de Oliveira, de 49 anos, foi preso após confessar o crime e indicar à Polícia Civil o local onde havia deixado o corpo da vítima, na quarta-feira (28). Ele passou por audiência de custódia na quinta-feira (29), quando teve a prisão mantida. Em nota, a defesa do síndico afirmou que ele vem colaborando com as investigações.
Últimos registros em vídeo e linha do tempo do desaparecimento
O vídeo do circuito interno foi gravado em 17 de dezembro de 2025. Nas imagens, Daiane aparece com o celular nas mãos, registrando o trajeto e enviando os vídeos para uma amiga. De acordo com a Polícia Civil, ela seguia para o subsolo para verificar o padrão de energia, pois o apartamento estava sem luz.
Durante o percurso, Daiane encontra outra pessoa no elevador e para na portaria antes de seguir em direção ao subsolo. As investigações apontam que esses momentos foram sendo compartilhados em tempo real com a amiga.
Esse vídeo que ela grava descendo no elevador foi encaminhado às 18h59. E os senhores podem observar que quando ela desce, é claro que ela estava gravando um vídeo. Então ela gravava e enviava. O terceiro vídeo ela não conseguiu enviar
André Luiz Barbosa
Às 19h, Daiane deixa o elevador. Segundo o delegado, é nesse momento que ela desaparece. Depois desse horário, as câmeras registram apenas uma senhora acessando o subsolo por volta das 19h08, o que leva a Polícia Civil a concluir que o homicídio foi cometido nesse intervalo de cerca de oito minutos.
A investigação também considera a hipótese de que o último vídeo gravado por Daiane pudesse conter algum tipo de prova contra o síndico.
Uso de escadas e transporte do corpo até área de mata
As apurações apontam que Cléber teria utilizado as escadas do prédio para evitar ser flagrado pelas câmeras após o crime. Em seguida, imagens externas mostraram o carro do síndico, uma Fiat Strada, trafegando em direção a uma região de mata, com a capota fechada.
Cerca de 48 minutos depois, o veículo é visto retornando com a capota aberta. Para a Polícia Civil, esse deslocamento indica que o carro foi utilizado para transportar o corpo de Daiane até uma área de mata em Ipameri, a aproximadamente 15 km de Caldas Novas, onde o corpo foi encontrado na madrugada de quarta-feira (28).
Filho do síndico é preso por suspeita de obstrução
O filho do síndico, Maicon Douglas de Oliveira, também foi preso, suspeito de tentar atrapalhar as investigações, segundo a Polícia Civil. Cléber havia sido detido após confessar o homicídio e levar os policiais ao local onde abandonou o corpo de Daiane.
De acordo com o delegado André Luiz, Maicon entregou um celular novo ao pai, o que poderia ter servido para ocultar provas em caso de apreensão do aparelho usado antes do crime.
A prisão foi solicitada, em um primeiro momento, para que a gente pudesse entender se essa participação já acontecia desde a prática desse homicídio ou se só aconteceu depois que o crime ocorreu
André Luiz Barbosa
Segundo o Ministério Público de Goiás (MP-GO), Maicon também teve a prisão mantida após audiência de custódia.
Indícios de preparação para fuga
A Polícia Civil trabalha com a suspeita de que pai e filho planejavam deixar a cidade após o crime. No apartamento de Cléber, em Caldas Novas, os investigadores encontraram malas prontas no momento do cumprimento dos mandados de prisão.
Não podemos afirmar categoricamente (que eles iriam fugir). Mas existiam, sim, malas no local, no momento do cumprimento da prisão
delegado André Luiz Barbosa
A presença das malas é tratada como um indício relevante na linha investigativa sobre possível tentativa de fuga da dupla após o homicídio.
Perícia aguarda laudo para confirmar causa da morte
O corpo de Daiane foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia, onde passa por exames. Segundo a Polícia Científica, o laudo da necropsia que vai apontar oficialmente a causa da morte deve ficar pronto em até 10 dias.
A perita criminal Núbia Miranda explicou que o trabalho pericial busca agilizar tanto a identificação quanto a conclusão sobre a forma como o crime foi executado.
A identificação não demora tanto, pode demorar um pouco, mas se for necessário só DNA. Se for por exame antropológico ou de arcada dentária, sai mais rápido. A necropsia em si, junto com o laudo de tomografia computadorizada, pode levar 10 dias
Núbia Miranda
De acordo com a perita, o corpo será submetido a tomografia computadorizada, exame da arcada dentária, exame antropológico e, se necessário, análise de DNA. Esse conjunto de procedimentos deve confirmar a identidade da vítima e estabelecer com precisão a causa da morte.