Haddad nega envolvimento do governo Lula em escândalo do Banco Master e cita falhas na gestão anterior do BC

Ministro afirma que Galípolo assumiu o Banco Central em 2025 já ciente dos problemas e que procedimentos internos levaram à liquidação; rumores circulavam desde 2024

30/01/2026 às 08:51 por Redação Plox

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afastou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de qualquer participação no escândalo envolvendo o Banco Master e suspeitas de fraudes bancárias, em entrevista concedida ao portal Metrópoles na manhã desta quinta-feira (29/1), em Brasília.

Gabriel Galípolo, indicado por Lula para presidir o BC, sabia do 'abacaxi' do caso Master, segundo Fernando Haddad

Gabriel Galípolo, indicado por Lula para presidir o BC, sabia do 'abacaxi' do caso Master, segundo Fernando Haddad

Foto: Foto: Reprodução/ Youtube @Lula


Haddad afirmou que o atual presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, assumiu o comando da autoridade monetária, no início de 2025, já ciente do problema deixado pela gestão anterior. Segundo o ministro, Galípolo tinha “plena consciência do abacaxi que herdou de seu antecessor” e, a partir daí, instaurou procedimentos internos de investigação que levaram à liquidação do Master. O ministro classificou o episódio como possivelmente a maior fraude bancária da história do país.

Herdeiro de uma crise no Banco Central

Ao comentar a atuação de Galípolo, Haddad relatou que, assim que o economista chegou à presidência do BC, tratou de dar respaldo técnico às decisões relacionadas ao Banco Master. Para o ministro, a dimensão do problema já era conhecida internamente quando houve a troca de comando no Banco Central.

Quando o Gabriel assume a presidência do BC, ele já tem plena consciência do tamanho do abacaxi que herdou do seu antecessor, tem total clareza de que ali é a maior fraude bancária possivelmente da história do Brasil. Então se instauraram os processos necessários para dar a solidez para as decisões que o BC precisa tomar

Fernando Haddad, em entrevista ao Metrópoles

Rumores desde 2024 e o papel de Daniel Vorcaro

Haddad também relembrou que os rumores sobre o Banco Master circulavam desde 2024, mas, naquele momento, não havia indícios claros de fraude. Segundo ele, o caso parecia inicialmente um “negócio mal feito”, e o dono do banco, Daniel Vorcaro, se apresentava como um empresário disposto a “desafiar o sistema bancário”.

De acordo com o ministro, Vorcaro dizia que sofria ciúmes de concorrentes e chegou a insinuar que grandes bancos, como o Itaú, deveriam “se cuidar”. Para Haddad, muita gente foi envolvida de boa-fé, acreditando tratar-se de um grande empresário e de um banqueiro emergente, enquanto Vorcaro “levou muita gente no bico”.

Críticas à gestão Campos Neto no Banco Central

Na entrevista, o ministro da Fazenda também criticou, de forma indireta, a gestão de Roberto Campos Neto à frente do BC. Haddad sugeriu que eventuais falhas de fiscalização ligadas ao Banco Master teriam ocorrido no período em que Campos Neto presidiu a instituição, entre 2019 e 2024.

Na véspera, o jornal Estado de S. Paulo revelou que o ex-presidente do Banco Central tinha conhecimento dos graves problemas de liquidez enfrentados pelo Master durante sua gestão, mas evitou adotar medidas mais duras contra o banco. Procurado pelo veículo, Campos Neto não se manifestou.

Haddad declarou acreditar que as investigações em curso podem levar à responsabilização de diversos atores, incluindo servidores públicos, políticos e empresários, dependendo das conclusões dos órgãos de controle e da Justiça.

Reunião de Lula com Vorcaro e decisão “técnica”

O ministro também foi questionado sobre a reunião entre Lula e Daniel Vorcaro, realizada em dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, encontro que não constou na agenda oficial do presidente. Haddad afirmou que, segundo os relatos que recebeu, Lula deixou claro ao empresário que qualquer decisão sobre o caso caberia ao Banco Central e seria tomada com base em critérios técnicos.

Haddad acrescentou que não conhecia Vorcaro e que nem sabia, à época, que o presidente teria marcado o encontro com o dono do Banco Master.

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