PEC do fim da escala 6x1 é aprovada na Câmara; veja a lista dos 22 deputados que votaram contra
Texto reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e segue agora para votação no Senado, também em dois turnos.
Às vésperas de uma eleição marcada pela montagem de palanques nacionais, nomes de peso da política brasileira passaram a abrir mão de projetos eleitorais próprios para cumprir funções consideradas estratégicas dentro de seus grupos. No governo Lula e na oposição bolsonarista, a lógica é parecida: sacrificar candidaturas individuais para fortalecer articulações, chapas estaduais e campanhas presidenciais.
Presidente Lula pediu ao ministro José Guimarães para desisitir de candidatura
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Um dos movimentos mais simbólicos ocorreu com José Guimarães (PT-CE). Cotado para disputar uma vaga ao Senado pelo Ceará, ele aceitou assumir a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, responsável pela articulação política do governo com o Congresso. Ao comentar a decisão, Guimarães reconheceu que a ida para o ministério teve custo pessoal, já que retirou seu nome da disputa eleitoral deste ano.
O caso tem peso no tabuleiro do PT porque Guimarães era um dos principais operadores do governo na Câmara e passou a atuar diretamente na construção de maioria parlamentar em um ano de eleição. A missão dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva é reforçar o diálogo com deputados e senadores e ajudar na sustentação política do projeto de reeleição do petista.
Outro nome que decidiu não priorizar uma candidatura própria foi Guilherme Boulos (Psol-SP), ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Deputado federal mais votado por São Paulo em 2022, ele afirmou que pretende permanecer no governo em vez de disputar a reeleição para a Câmara. A permanência, no entanto, também cria um desafio para o Psol, que contava com sua votação expressiva para puxar a bancada paulista.
Para tentar compensar essa ausência na urna, a advogada Natália Szermeta Boulos, esposa do ministro, foi lançada como pré-candidata a deputada federal pelo Psol. Nos bastidores, Boulos também é visto como peça importante para organizar o campo progressista em São Paulo, onde a esquerda terá disputas relevantes para o governo estadual, Senado e palanque presidencial.
No Ministério da Saúde, Alexandre Padilha (PT-SP) também descartou disputar cargo eletivo em 2026. O nome dele chegou a circular em cenários eleitorais de São Paulo, inclusive para o Senado, mas o ministro afirmou que sua dedicação será voltada à gestão da pasta e à reestruturação do Sistema Único de Saúde. Como outros ministros que permaneceram no governo, Padilha deixa de buscar mandato na próxima legislatura caso mantenha a decisão de não concorrer.
O movimento ocorre em meio às regras de desincompatibilização, que obrigam ocupantes de determinados cargos públicos a se afastarem dentro de prazos definidos para disputar as eleições. Na prática, quem opta por continuar em função estratégica no governo assume o risco de ficar fora da disputa direta por mandato.
A lógica não ficou restrita ao governo Lula. No campo da direita, o senador Rogério Marinho (PL-RN) desistiu de disputar o governo do Rio Grande do Norte para atuar na articulação da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão atende à tentativa do PL de reforçar a presença no Nordeste, região onde Lula mantém forte base eleitoral.
Diferentemente dos ministros que deixam de disputar mandato, Marinho não fica sem cargo eletivo no curto prazo, já que seu mandato no Senado vai até 2031. Ainda assim, a desistência da disputa estadual mostra como a eleição nacional tem reorganizado planos pessoais e regionais. O xadrez de 2026 começa a ser definido não apenas por quem entra na urna, mas também por quem aceita ficar fora dela para sustentar o projeto político do próprio grupo.